Robô da indústria automotiva: Snake promete aumentar produtividade

Com tecnologia inédita, robô deve aumentar produtividade da indústria automotiva

O projeto EMBRAPII foi apresentado em Joinville, Santa Catarina. Versátil, ele poderá substituir até quatro robôs na linha de montagem deixando o processo mais ágil e econômico
Robô Snake, desenvolvido por pesquisadores da EMBRAPII ISI Laser, deve aumentar a produtividade da indústria automotiva.

Com movimentos flexíveis, semelhantes ao de uma cobra, a tecnologia do Snake promete revolucionar o setor, ele seria o robô da indústria automotiva. Diferentemente de outros robôs que, atualmente, operam na linha de montagem, ele é capaz de alcançar locais de difícil acesso em espaços restritos para desempenhar diferentes funções como inspeção de soldas, aplicação de selantes, pinturas e outros tipos de análises de vídeo, por meio de uma câmera instalada em sua extremidade. 

O projeto é uma iniciativa da multinacional General Motors que buscou o modelo da EMBRAPII (Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial) para viabilizar a ideia. Ele foi desenvolvido por pesquisadores da Unidade EMBRAPII ISI Laser, em Joinville, Santa Catarina. O resultado chamou a atenção da GM americana e já gera interesse de investidores brasileiros. 

Segundo o gerente de inovação da GM América do Sul, Carlos Sakuramoto, nesta concepção, o robô é uma solução global inédita. “Existem robôs snake no mundo, mas as características que desenvolvemos nesse projeto são únicas”, destaca. Segundo o executivo, o modelo, que tem a capacidade de ultrapassar obstáculo, poderá substituir até quatro robôs, dependendo da operação. Assim, ele representará economia no processo produtivo, com a redução de ciclos e de área de produção. A previsão é que até o meio do ano ele seja inserido para testes na linha de montagem. 

Para o secretário de Empreendedorismo e Inovação do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), Paulo Alvim, o resultado de um projeto concreto que demonstra a integração entre institutos de pesquisas e empresas tem se mostrado positivo para o crescimento da industrial nacional. “A experiência deste projeto envolvendo Instituto Senai de Inovação (ISI), que é uma Unidade EMBRAPII, e a GM é uma ação significativa na área da indústria 4.0. Estamos caminhando para a inserção do setor produtivo em uma economia digital. Em paralelo, o processo garante geração de conhecimento, formação de recursos humanos, patentes, startups, ou seja, todo o conjunto que se espera desta interação em um ecossistema eficiente.” 

Tecnologia nacional

O robô foi idealizado com uma concepção de modularidade, podendo possuir mais ou menos eixos a depender da funcionalidade requerida. Ele se caracteriza pela agilidade e flexibilidade nas suas operações e sua versatilidade garante que ele possa atuar, além da indústria automotiva, na inspeção de máquinas e equipamentos da indústria aeronáutica, petróleo e gás. 

De acordo com o diretor de planejamento e gestão da EMBRAPII, José Luis Gordon, não há nada igual no mundo com esta tecnologia de Ferramentaria 4.0 e, além dos avanços para a indústria, o incentivo à inovação, por meio deste projeto, possibilita benefícios para alunos de mestrado e doutorado que participam deste trabalho de desenvolvimento. “O projeto é uma demanda do setor produtivo, sendo realizado aqui no Brasil por uma empresa de grande porte, ou seja, o país está se tornando referência em tecnologias de Manufatura 4.0”, destaca. “Além disso, é interessante que pesquisadores, que são alunos em formação, muitos estão começando abrir startups, ou seja, gera também uma oportunidade para novos negócios.” 


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