Em 2025, a economia brasileira deve experimentar crescimento moderado (entre 2,0% e 2,3%), porém acima das projeções traçadas no início do ano. Marcaram o período: i) a desaceleração da atividade doméstica sob o impacto dos juros elevados – especialmente no segundo semestre; ii) a resiliência do mercado de trabalho, com desemprego em mínima histórica; iii) a inflação que foi se acomodando e fechou o ano abaixo do teto da meta e; iv) a forte valorização do Real (11,2%), impulsionada, de um lado, pelo diferencial de juros (Selic em alta) e, de outro, pela desvalorização global do dólar, resultado da política comercial e tarifária americana, recuo da taxa básica de juros nos EUA e tensões geopolíticas mundiais.
Nesse contexto, a indústria automotiva brasileira registrou desempenho modesto quando comparado ao ano anterior. A produção de veículos novos avançou 3,5% – ante 9,7% em 2024 – e o mercado interno desacelerou, observando alta de 1,1% nos emplacamentos nacionais, em comparação com 10,8% no ano anterior. Por sua vez, o excepcional desempenho das exportações de veículos funcionou como sustentáculo para produção local, assegurando crescimento e diversificação de mercados. As vendas ao exterior tiveram incremento de 32,1%, com maior concentração para Argentina (+85,6%). Com base na amostra utilizada, observa-se que a indústria de autopeças refletiu essa dinâmica em 2025, com alta de 5,6% no faturamento nominal (+2,6% em termos reais) em relação a 2024.
Responsáveis por aproximadamente 64,5% do total das vendas da indústria de autopeças no ano, as OEMs contribuíram com aumento de 8,7% no faturamento nominal (+5,5% real), puxando o desempenho final. As exportações, denominadas em real, também se destacaram, com alta de 4,4% (+1,5% em termos reais). Os efeitos “Argentina” e “Tarifaço” serviriam para explicar esse resultado, na medida em que o desempenho da economia argentina favoreceu o crescimento de 12,5% das exportações de autopeças brasileiras no ano passado. Além disso, a queda das exportações para os Estados Unidos (-12,8%), em razão das sobretaxas impostas pelo governo americano, intensificou os negócios para mercados tradicionais como Alemanha (+14,1%), Reino Unido (+ 21,0%), Colômbia (+20,7%) e Peru (30,5%), e em mercados emergentes como África do Sul (+21,4%) e Uzbequistão (51,4%). Por conta de fatores que carecem de melhor entendimento (maior concorrência externa, liquidação de estoques, encarecimento das peças, concentração de mercado etc.), o drive do mercado de reposição foi o único que encerrou 2025 em queda (-2,8% em termos nominais e -5,6% em termos reais). Entre os segmentos, a linha leve recuou 3,4% (-6,1%, descontado o efeito da inflação) e a linha pesada encolheu 0,4% (-3,3% em termos reais).
A ociosidade da indústria de autopeças esteve, em média, em 26,6% em 2025, o que representou leve aumento de 0,8 p.p. em relação à média de 2024. Especificamente em dezembro, os resultados decorrem das características sazonais do período, que conta com férias coletivas nas fábricas e menos dias úteis em razão do recesso de final de ano. Os reflexos foram sentidos em todos os canais de venda, que apresentaram variações nominais e reais negativas.
Com respeito aos postos de trabalho criados, o ano encerrou com alta de 3,7%. De acordo com dados do Novo Caged/MTE, foram gerados cerca de 4 mil empregos formais na indústria de peças e acessórios para veículos automotores em 2025, o que corrobora as informações extraídas da amostra empregada neste relatório.









