O saldo comercial brasileiro (diferença entre importações e exportações) registrou resultado negativo de -17,2% em março deste ano em relação ao mesmo período do ano passado. De acordo com dados do Governo Federal, as importações atingiram US$ 25,199 bilhões, maior valor da série histórica para o mês, representando uma alta de 20,1% em relação aos US$ 20,99 bilhões de março de 2025.
As informações foram divulgadas em coletiva de imprensa na tarde de terça-feira (7), em Brasília (DF), pela Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Secex/MDIC), com apresentação do diretor de Estatísticas e Estudos de Comércio Exterior, Herlon Alves Brandão, e do coordenador-geral de Estatística de Comércio Exterior, Saulo Castro.
De acordo com a apresentação de Brandão, a avaliação do saldo comercial é feita com base na diferença entre importações e exportações. “O saldo comercial, com um aumento das importações superior ao crescimento das exportações, recuou 17,2%, somando 6,4 bilhões”, afirmou o diretor.
Avaliação mensal e anual
No cenário geral da balança comercial, houve saldo positivo em março em relação a fevereiro deste ano. De acordo com os dados da Secex/MDIC, as exportações no período somaram US$ 31,603 bilhões, contra US$ 25,199 bilhões em importações. O saldo positivo mensal entre exportações e importações foi de US$ 6,405 bilhões.
Brandão afirmou que o crescimento das exportações em março de 2026 representou um crescimento de 10% em relação ao mesmo período de 2025, quando o saldo foi de US$ 28,73 bilhões. Na soma total das exportações e importações (corrente de comércio), o valor chegou a US$ 56,802 bilhões.
Já na análise dos dados de todo o ano de 2026, as exportações atingiram US$ 82,338 bilhões e as importações, US$ 68,163 bilhões, com saldo positivo de US$ 14,175 bilhões e corrente de comércio de US$ 150,501 bilhões.
As categorias que mais influenciaram nas importações em março deste ano foram os bens de capital (produtos utilizados para produzir outros bens ou serviços), bens de consumo (produtos finais), bens intermediários (insumos, matérias-primas ou componentes) e combustíveis.
“Entre os principais fornecedores, eu cito o crescimento das importações de produtos chineses, com 32,9%. Foram destaques também a importação da União Europeia, com praticamente 15% de aumento, e da Argentina, com 13,1%. A importação de produtos dos Estados Unidos apresentou uma leve queda, de 6,3%”, informou Brandão. Além desses, também há destaque para a Associação de Nações do Sudeste Asiático (ASEAN), México e Canadá.
Nas exportações, segundo Brandão, a indústria extrativa foi influenciada pelo aumento dos embarques de petróleo. “O petróleo bruto cresceu 76% em março desse ano comparado com março de 2025. O preço caiu um pouco [3,1%]”, disse. Outros segmentos que influenciaram as exportações foram a agropecuária e a indústria da transformação.
Petróleo e guerra
Com relação ao impacto da guerra dos Estados Unidos e Israel contra o Irã nas comercializações do petróleo, Brandão esclareceu que isso será melhor refletido mais à frente nos dados. “Na verdade, estamos olhando aqui um retrato já de meses anteriores”, afirmou o diretor.
A íntegra da divulgação da balança comercial de março de 2026 está disponível no portal do MDIC.










