Inflação, juros altos e dúvidas derrubam expectativas e confiança do consumidor recua 3,8% em São Paulo -

Inflação, juros altos e dúvidas derrubam expectativas e confiança do consumidor recua 3,8% em São Paulo

Intenção de consumo das famílias sugere compras mais planejadas e mais seletividade e sensibilidade a preços, crédito e promoções

O consumidor paulistano segue mais confiante do que há um ano, mas já começa a revisar as perspectivas. O Índice de Confiança do Consumidor (ICC) caiu 3,8% em abril, para 121,1 pontos, segundo a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP). A retração foi puxada pelo Índice de Expectativas do Consumidor (IEC), que recuou 5% em relação a março. Na comparação anual, o ICC ainda registra alta, de 9,1%. 

[GRÁFICO 1]

Índice de Confiança do Consumidor (ICC)

Série histórica (13 meses)

Fonte: FecomercioSP

Apesar do patamar elevado em comparação com o ano passado, os juros altos, a inflação persistente e a maior incerteza externa — como as tensões no Oriente Médio — têm levado os paulistanos a adotarem uma postura mais cautelosa: o consumo ainda se mantém no presente, mas as dúvidas quanto ao futuro começam a influenciar as decisões. 

O Índice das Condições Econômicas Atuais (ICEA), outra variável que compõe o ICC, apontou redução de 1,9% na comparação mensal, passando para 119,1 pontos. Embora a pontuação esteja acima do limiar que separa o pessimismo do otimismo, revelando que ainda há sustentação do consumo no curto prazo, já é possível identificar mudanças no comportamento dos lares.  

[GRÁFICO 2]

Índice das Condições Econômicas Atuais (ICEA) 

e de Expectativas do Consumidor (IEC)

Série histórica (13 meses)

Fonte: FecomercioSP

A FecomercioSP acredita que esse movimento é típico de inflexões do ciclo econômico: o consumo não recua de imediato, mas se torna mais planejado, sensível a preços e seletivo. O ciclo, portanto, não se inverteu, mas perdeu força. Para o varejo, isso implica mais foco nos preços e na percepção de valor, além de crédito mais conservador, gestão eficiente de estoques e mais segmentação do público.  

Queda disseminada

Em abril, quase todos os grupos do ICC recuaram. Entre os consumidores com renda superior a dez salários mínimos e público de até 35 anos, a queda foi de 6,3%, e entre as mulheres, de 6,2%. Apenas o grupo com 35 anos ou mais apresentou leve alta (0,5%). 

Apesar da redução mensalo ICEA obteve alta de 14,6% em relação a abril de 2025, refletindo mercado de trabalho resiliente e renda ainda sustentada. O IEC, por sua vez, atualmente em 122,4 pontos, cresceu 5,8%. Em abril, a piora foi mais forte entre consumidores de maior renda (-8,1%) e jovens (-8,4%), grupos mais sensíveis às condições financeiras e que tendem a antecipar movimentos do ciclo econômico. 

Na avaliação da FecomercioSP, os desafios macroeconômicos atuais — como a manutenção de juros elevados por um longo período, que encarece o crédito e aumenta o endividamento; a inflação persistente, especialmente no setor de Serviços; a maior seletividade na concessão de crédito, que restringe o consumo financiado; e as incertezas geopolíticas, que elevam a volatilidade global e pressionam os preços de energia e logística — estão levando os consumidores a adotarem uma postura mais conservadora quanto às suas perspectivas de consumo e renda. 

Acompanhando esse movimento, a Intenção de Consumo das Famílias (ICF) também recuou em abril. O ICF caiu 0,8%, para 113,4 pontos, registrando a segunda queda consecutiva. No comparativo anual, contudo, houve alta de 8,5%. Em síntese, a intenção familiar paulistana de consumir não entrou em retração, mas perdeu ímpeto.  

Ainda segundo a FecomercioSP, a melhoria em relação ao ano passado reflete um ambiente ainda sustentado por emprego e renda. Já a queda mensal indica mais prudência. A Entidade ressalta que os próximos meses devem trazer um consumo mais planejado, seletivo e sensível a preço, crédito e promoções, exigindo mais eficiência do varejo. 

[GRÁFICO 3]

Índice de Intenção de Consumo das Famílias (ICF)

Série histórica (13 meses)

Fonte: FecomercioSP

Consumo atual e momento para duráveis na zona de pessimismo

Dentre as variáveis que compõem o indicador, apenas o quesito de emprego atual se manteve estável. Destacam-se as quedas observadas no nível de consumo atual (1,9%, para 88,7 pontos), no momento para duráveis (1,6%, para 85,9 pontos) e na perspectiva de consumo (1,1%, para 106,1 pontos). Os dois primeiros seguem na faixa de pessimismo, indicando que a aquisição, principalmente, de itens de maior valor e dependentes de crédito ainda não se normalizou. 

Na comparação com abril de 2025, porém, todos os componentes avançaram, com destaques que ficaram por conta de momento para duráveis (22,6%), acesso ao crédito (17,3%) e perspectiva de consumo (11,5%). 

Entre as famílias com renda de até dez salários mínimos, o ICF atingiu 111,7 pontos, com leve queda de 0,6% no mês, e alta de 10% em 12 meses. Nesse grupo comparativo anual, todos os componentes cresceram, em especial momento para duráveis (27,9%), acesso ao crédito (20,5%), perspectiva de consumo (16%) e nível atual de consumo (11%). 

Entre as famílias com renda superior a dez salários mínimos, o ICF chegou a 118,3 pontos, com queda de 1,2% no mês e alta de 4,7% no comparativo anual. 


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