UE deve liderar a estratégia global de sustentabilidade com padrões unificados e prontos para o mercado -

UE deve liderar a estratégia global de sustentabilidade com padrões unificados e prontos para o mercado

Fornecedores automotivos vêm desenvolvendo soluções capazes de posicionar a Europa como líder em mobilidade sustentável

Dados recentemente atualizados do setor revelam que os 27 maiores fornecedores automotivos da Europa reduziram coletivamente suas emissões de CO2 de Escopos 1 e 2 em 7% entre 2023 e 2024, ao mesmo tempo em que alcançaram uma taxa de 87% de reciclagem e recuperação de resíduos de produção. Embora esses números comprovem que a indústria está cumprindo seus compromissos ambientais, o evento anual de Regulamentação de Materiais e Sustentabilidade da CLEPA destacou um alerta crítico: esse avanço perderá força caso não seja sustentado por incentivos robustos e pelas condições estruturais adequadas.

Em seu discurso de abertura, o secretário-geral da CLEPA, Benjamin Krieger, destacou o papel fundamental dos fornecedores automotivos na condução dos esforços de sustentabilidade e inovação da Europa. Ele ressaltou a importância de incentivar operações e produção no continente europeu para permitir que a indústria amplie essas iniciativas de forma eficaz: “A sustentabilidade precisa funcionar para a indústria: ao corrigir a forma como financiamos a transição, garantir insumos estratégicos e priorizar a reutilização — incluindo reparo e remanufatura — em vez da reciclagem de baixo valor agregado, a Europa pode transformar a descarbonização em um motor de competitividade e autonomia.”

Um debate político dedicado reuniu formuladores de políticas públicas e líderes da indústria, que destacaram os desafios presentes nos atuais marcos regulatórios e as expectativas em relação à futura Lei da Economia Circular. A Europa precisa garantir modelos de investimento que impulsionem ativamente a transição, assegurem cadeias de suprimentos resilientes e ampliem a circularidade para além da reciclagem, por meio do reparo, reutilização e remanufatura.

O evento demonstrou que a sustentabilidade está cada vez mais incorporada às estratégias centrais dos negócios. De sistemas avançados de dados sobre materiais a design circular e gestão de riscos climáticos, os fornecedores automotivos vêm desenvolvendo soluções capazes de posicionar a Europa como líder em mobilidade sustentável.

Situação do First Brands Group acende sinal de alerta no setor automotivo

A fornecedora automotiva First Brands Group LLC, em processo de falência, adicionou formalmente a Jasper Rubber Products às operações designadas para encerramento sob o Capítulo 11 de sua reestruturação, aumentando a incerteza em torno da tradicional fabricante de borracha e elastômeros termoplásticos de Indiana (EUA).

Controladora de marcas tradicionais como FRAM, Raybestos, TRICO e Autolite, o grupo enfrenta dificuldades financeiras crescentes, com relatos recentes de demissões, redução operacional e perda de interesse de potenciais compradores de ativos.

Embora o movimento esteja concentrado nos Estados Unidos, o caso passou a ser observado com atenção por executivos do aftermarket global por expor um problema que vem pressionando toda a cadeia: aumento dos custos financeiros, estoques mais caros, pressão sobre margens e a necessidade de investimentos pesados em eletrificação, software e cobertura tecnológica da frota.

O episódio também reforça uma percepção cada vez mais presente no setor: o aftermarket mundial entrou em uma nova fase de consolidação financeira, na qual grupos mais capitalizados tendem a ampliar participação enquanto empresas excessivamente alavancadas enfrentam dificuldades para sustentar operações complexas e portfólios amplos.

Montadoras europeias aprovam novo passo em direção a uma estrutura de CO2 mais pragmática

O texto do relator do Parlamento Europeu sobre a revisão do regulamento de CO2 para carros e vans publicado neste mês de maio representa um passo importante rumo a uma estrutura mais equilibrada e realista, que reflita melhor as condições do mundo real e os desafios significativos enfrentados pelo setor automotivo.

O relatório reconhece a importância de flexibilidades direcionadas e de uma abordagem tecnologicamente neutra e mais orientada ao mercado para a descarbonização, fatores que serão essenciais para apoiar a transição do setor, mantendo a competitividade industrial e a capacidade de investimento. O documento também aborda os desafios específicos do segmento de vans, no qual a eletrificação ainda enfrenta consideráveis restrições operacionais e de acessibilidade econômica.

Sigrid de Vries, diretora-geral da ACEA – Associação dos Fabricantes Europeus de Automóveis, afirmou: “Essa transformação ocorre em um contexto de crescente incerteza geopolítica, expansão desigual da infraestrutura de recarga e consumidores que precisam de tempo e confiança para fazer essa mudança. O sucesso da transição dependerá da capacidade da Europa de alinhar ambição política com a realidade industrial e de mercado. A revisão do regulamento de CO2 para carros e vans é crucial para recolocar a transição para a mobilidade de zero emissão nos trilhos e fortalecer a resiliência da base industrial europeia. Pedimos aos colegisladores da UE que concluam a revisão de forma rápida e pragmática, e estamos prontos para apoiar esse processo em cada etapa”, declarou de Vries.

Simplificação digital: FIGIEFA defende direito do aftermarket ao acesso aos dados

A FIGIEFA – federação internacional que representa o aftermarket independente junto às instituições da União Europeia e das Nações Unidas – compartilhou sua posição no âmbito de uma consulta sobre como as regras digitais da União Europeia poderiam ser simplificadas, incluindo mudanças atualmente discutidas dentro do chamado Digital Omnibus. O objetivo desse processo é tornar as regras mais fáceis de aplicar e reduzir burocracias desnecessárias para as empresas.

A FIGIEFA apoia esse objetivo: regras mais claras e simples ajudarão as empresas, especialmente as menores, a investir, inovar e crescer. No entanto, a simplificação não deve enfraquecer as regras que permitem o funcionamento adequado dos mercados. Em sua contribuição, a FIGIEFA destacou, portanto, a importância de manter as regras existentes de acesso a dados claras, utilizáveis e confiáveis.

Atualmente, as regras existentes da UE, estabelecidas pelo Data Act, são uma das poucas ferramentas que garantem aos prestadores independentes de serviços uma base legal concreta para acessar esses dados.

A FIGIEFA é contra mudanças que possam tornar o acesso aos dados mais teórico do que prático. Em especial, uma proposta que redefiniria o conceito de “acesso” de forma a limitar a capacidade de recuperar ou utilizar os dados na prática criaria insegurança para as empresas e dificultaria o desenvolvimento de serviços competitivos.

Por isso, a entidade pede aos formuladores de políticas públicas que concentrem esforços em fazer com que as regras existentes funcionem melhor na prática, em vez de reabri-las ou enfraquecê-las. Manter regras viáveis de acesso a dados é essencial para apoiar investimentos, inovação e serviços de mobilidade acessíveis em toda a Europa.

Chinesa Zeekr vai à Europa para vender prestígio

A invasão chinesa na Europa sempre pareceu seguir o mesmo roteiro: carros elétricos baratos, pacotes tecnológicos generosos e preços impossíveis de serem acompanhados pelas montadoras tradicionais do continente. Mas a Zeekr decidiu entrar em cena rasgando esse manual.

A marca premium criada pelo grupo chinês Geely não está tentando conquistar consumidores europeus oferecendo o elétrico mais barato da vitrine. Seu movimento é mais sofisticado: a estratégia passa por design sueco, engenharia desenvolvida em Frankfurt, linguagem visual escandinava, acabamento de padrão premium e uma velocidade de desenvolvimento que a indústria europeia simplesmente não consegue replicar no mesmo ritmo. Enquanto muitas fabricantes chinesas chegaram à Europa explorando o discurso do “mais por menos”, a Zeekr tenta vender algo diferente: prestígio.

A marca nasceu em 2021 como divisão elétrica premium da Geely, conglomerado que já controla operações globais como Volvo Cars, Polestar e Lotus Cars. Diferentemente de outras fabricantes chinesas que ainda lutam para construir reputação internacional, a Zeekr surgiu já conectada a centros de desenvolvimento europeus. Seu design é conduzido em Gotemburgo, na Suécia. A engenharia recebe forte influência do centro técnico da marca em Frankfurt, na Alemanha. E a execução industrial permanece chinesa — rápida, verticalizada e agressiva em custos.

A publicação especializada Automotive Manufacturing Solutions resumiu recentemente o fenômeno afirmando que a Zeekr aposta em “qualidade premium, desenvolvimento interno e velocidade chinesa de execução” como diferencial competitivo no continente europeu. A reportagem destaca que a empresa evita crescer por descontos agressivos e prefere construir percepção de valor e confiança tecnológica. 

A Zeekr já opera em mercados como Suécia, Noruega, Dinamarca, Bélgica, Holanda e Alemanha, além de ter iniciado recentemente sua entrada na Itália. França, Reino Unido e Espanha aparecem na próxima fase da ofensiva continental. E os modelos vendidos na Europa custam entre aproximadamente 38 mil e 73 mil euros. Ou seja: a Zeekr está mirando exatamente o território ocupado historicamente por BMW, Mercedes-Benz, Audi e Tesla.

A União Europeia abriu investigações sobre subsídios chineses, elevou tarifas sobre veículos elétricos produzidos na China e passou a discutir mecanismos de proteção industrial. Mas existe uma contradição difícil de resolver: boa parte das próprias marcas europeias também depende da China.

A própria Volvo — controlada pela Geely — enfrenta hoje pressão de margens, guerra de preços e desaceleração global dos elétricos, mas insiste em manter posicionamento premium mesmo com queda de volume. 

Déficit na balança de autopeças da Argentina tem queda de 18,5%

O setor de autopeças argentino registrou déficit comercial de US$ 1,770 bilhão durante o primeiro trimestre de 2026, apresentando queda de 18,5% na comparação anual em relação ao mesmo período de 2025 (redução de US$ 402 milhões no déficit). Isso foi explicado principalmente pela forte queda das importações, em um contexto de menor atividade industrial (-2,3% na comparação anual) e importante retração da produção automotiva.

As importações de autopeças totalizaram US$ 2,047 bilhões, com queda anual de 16,5% (-US$ 404 milhões). Paralelamente, a produção de veículos caiu 17,2% em relação ao mesmo período do ano anterior, refletindo uma menor demanda por componentes importados. As importações realizadas pelas montadoras representaram 66% das compras externas de autopeças e contribuíram com 57% da queda das importações de componentes (-14,4% na comparação anual, equivalente a -US$ 231 milhões). Esses números estão alinhados com a forte relação estrutural existente entre as variações das importações de autopeças e as variações da produção automotiva.

As exportações de autopeças alcançaram US$ 277 milhões, registrando queda anual de 7,7% (-US$ 24 milhões). Ainda assim, as vendas externas chegaram a mais de 90 destinos, evidenciando a forte necessidade de melhorar a competitividade sistêmica em um dos setores mais abertos da economia.

O Brasil continua sendo o principal parceiro comercial do setor:

• Concentrou 28,2% das importações e 68,5% das exportações.
• O déficit bilateral com o Brasil foi de US$ 388 milhões, com redução anual de 33,2%.
• As importações provenientes do Brasil caíram 26,7%, enquanto as exportações para esse destino recuaram 8,0%.

A China consolidou-se como a terceira principal origem das importações, representando 15,3% do total:

• As compras do país asiático alcançaram US$ 314 milhões, com leve queda anual de 2,0%, aumentando novamente sua participação no mercado ao recuar substancialmente menos que as importações totais.
O desempenho do trimestre confirma uma forte correlação entre o nível de produção automotiva e o comércio exterior de autopeças, especialmente nas importações, dada a elevada dependência de insumos e componentes provenientes do exterior.


Notícias Relacionadas
Read More

DRiV anuncia novo diretor comercial

Com mais de 30 anos de experiência no mercado de autopeças, executivo construiu uma trajetória sólida, liderando iniciativas estratégicas e operacionais de promoção e vendas em grandes indústrias do setor