Em visita ao Brasil para comemorar os 35 anos da planta de Piracicaba (SP), o CEO global da PHINIA, Brady Ericson, conversou com a reportagem do Aftermarket Automotivo. O executivo liderou a cisão da empresa a partir da BorgWarner em 2023. Especializada em sistemas de combustível, elétricos e soluções para a reposição, a PHINIA é responsável pelas marcas Delphi, Delco Remy e Hartridge.
Qual sua avaliação o momento atual do aftermarket e as perspectivas do mercado diante do crescimento das novas marcas chinesas?
Temos muitos fabricantes globais (OEMs) na China e, à medida que eles entram em diferentes mercados, esses componentes também passam a fazer parte do nosso escopo de atuação. Grande parte da tecnologia que vocês veem em sistemas de injeção direta de gasolina (GDI) e em sistemas diesel de alta pressão está concentrada em apenas três grandes concorrentes no mundo, e nós somos um deles. Nenhum desses três é chinês. Portanto, à medida que marcas como BYD, Changan e Li Auto começam a trazer seus veículos para estes mercados, nós também estamos lançando uma ampla gama de peças de reposição para atender a manutenção desses veículos no aftermarket.
Como está evoluindo nos Estados Unidos o movimento do Direito ao Reparo (Right to Repair) e do Direito à Conectividade (Right to Connect), temas fundamentais atualmente.
Nós somos grandes defensores do Direito ao Reparo. Acreditamos que esse direito precisa existir e estar disponível para todos. Isso tornará o mercado mais competitivo e será melhor para o consumidor. Por isso, estamos fazendo o que está ao nosso alcance para apoiar essas iniciativas nos Estados Unidos e em qualquer lugar do mundo onde essa discussão esteja acontecendo.
Como o grupo enxerga o mercado brasileiro, especialmente no que diz respeito aos motores a combustão? Existem planos de expansão, particularmente para o aftermarket?
Sim. Estamos expandindo nossas operações no Brasil tanto na área de remanufatura quanto no fornecimento para montadoras (OE). À medida que conquistamos novos contratos com fabricantes de veículos, isso naturalmente gera mais oportunidades para o aftermarket brasileiro. Como empresa, nosso objetivo é aumentar a participação do aftermarket, que hoje representa cerca de 35% da nossa receita, para algo acima de 40%. Estamos crescendo em todas as regiões e observamos um crescimento consistente. A equipe aqui está fazendo um excelente trabalho e tem apresentado resultados muito positivos também no mercado sul-americano.
Existem diferenças que você considera marcantes entre o aftermarket dos Estados Unidos e o aftermarket brasileiro?
A principal diferença está na forma como os produtos chegam ao mercado. Nos Estados Unidos, existem grandes redes varejistas bastante consolidadas, com forte concentração de compras. Na Europa, há uma presença maior de grandes distribuidores. Aqui, trabalhamos muito próximos dos especialistas em diesel e buscamos estreitar o relacionamento com esses clientes por meio de parceiros estratégicos. Cada mercado possui suas particularidades. Mas, independentemente do país, continuamos precisando oferecer um portfólio amplo, garantir entregas dentro do prazo e disponibilizar produtos de alta qualidade. E sabemos que a marca Delphi continuará sendo uma marca muito forte.











