Comércio atacadista cresce, mas desaceleração da demanda acende sinal de alerta -

Comércio atacadista cresce, mas desaceleração da demanda acende sinal de alerta

Publicação da FecomercioSP traz diagnóstico do setor e dicas para o empresário combater as dificuldades em 2026

Neste ano, ainda que o comércio atacadista paulista esteja mantendo trajetória de crescimento, já apresenta sinais claros de desaceleração frente a um cenário econômico mais desafiador. Levantamento da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP), com base em dados da Associação Brasileira de Atacadistas e Distribuidores de Produtos Industrializados (Abad), aponta que as vendas do setor cresceram 5,2% no primeiro trimestre em relação ao mesmo período do ano passado. No entanto, o avanço do volume comercializado foi de apenas 0,9%, indicando que grande parte da expansão do faturamento decorreu do aumento dos preços, e não do crescimento efetivo da demanda.

Esses dados constam na Carta Setorial do Conselho do Comércio Atacadista da FecomercioSP. Confira a versão completa aqui.

Segundo a análise, fatores como juros elevados, inflação persistente, crédito mais caro e aumento do endividamento das famílias continuam limitando o consumo. Embora o mercado de trabalho permaneça relativamente resiliente, o poder de compra da população segue pressionado, fazendo com que os resultados das empresas dependam cada vez mais do aumento do valor médio das transações e menos da expansão consistente das vendas.

O ambiente mais cauteloso também tem influenciado a gestão de estoques no varejo, com reflexos diretos sobre o atacado. Dados da Federação mostram crescimento da parcela de negócios com estoques acima do adequado, sinalizando dificuldades no escoamento das mercadorias. Ao mesmo tempo, uma parcela significativa dos empresários continua operando com estoques enxutos, adotando uma postura mais conservadora nas decisões de compra e reposição diante das incertezas econômicas.

No mercado laboral, o setor registrou saldo negativo de 299 vagas formais em abril, segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). Apesar disso, o estoque total de trabalhadores alcançou 654,2 mil vínculos no Estado de São Paulo, alta de 2,8% em comparação com o mesmo mês de 2025. Para a FecomercioSP, os números ressaltam que o emprego ainda sustenta parte da atividade econômica, embora já existam sinais de acomodação compatíveis com a desaceleração observada em outros indicadores.

A Entidade ainda destaca que o aumento do endividamento familiar exige atenção redobrada das empresas. Entre janeiro e maio, o porcentual de consumidores endividados subiu de 68,9% para 74,2%, atingindo o maior nível dos últimos 12 meses. Por isso, a recomendação da FecomercioSP é que as empresas reforcem o planejamento financeiro, mantenham rigor na gestão de estoques e do capital de giro, priorizem ganhos de eficiência e adotem critérios mais rigorosos na concessão de crédito, buscando reduzir riscos em um ambiente marcado por elevada instabilidade.

A publicação reúne dados, gráficos e análises que ajudam o empresário a entender o momento e a se preparar melhor para as decisões de curto e médio prazos.

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