Em vez de apontar os carros elétricos como vencedores absolutos, os analistas da Schwartz Advisors apostam em uma solução intermediária. Os veículos elétricos de autonomia estendida, conhecidos pela sigla EREV, aparecem como os candidatos mais promissores para o futuro. Nessa arquitetura, um pequeno motor a combustão funciona apenas como gerador, alimentando a bateria responsável por mover o veículo.
A aposta ganha relevância em razão do protagonismo crescente da indústria chinesa. Segundo a Schwartz Advisors, os fabricantes chineses já operam com uma vantagem de custo entre 20% e 40% em relação aos concorrentes ocidentais e reduziram os ciclos de desenvolvimento de novos veículos para apenas 18 meses, enquanto as montadoras tradicionais ainda trabalham em projetos que levam de quatro a cinco anos para chegar ao mercado. A influência chinesa se estende também aos sistemas de propulsão. Somente em 2026, 18 novos modelos EREV deverão ser lançados na China.
As mudanças, entretanto, não se limitam aos veículos. Elas atingem a própria estrutura de poder do aftermarket. A consultoria acredita que o centro de gravidade do setor está migrando dos varejistas de autopeças para quem controla a prestação de serviços. A consolidação das oficinas em grandes grupos, impulsionada por fundos de private equity, e a tendência de verticalização das concessionárias podem transformar os reparadores em protagonistas das decisões de compra. No futuro, argumenta o estudo, a disponibilidade da peça poderá ser menos importante do que a capacidade de manter veículos e frotas operando sem interrupções.
Em outras palavras, a próxima disputa do aftermarket talvez não seja decidida por quem tiver mais produtos em estoque, mas por quem conseguir interpretar melhor a frota que ainda está por chegar.
Porque, em um mercado cada vez mais fragmentado e tecnologicamente diverso, prever a demanda pode se tornar tão importante quanto fabricar peças.










