A Abipeças e o Sindipeças divulgaram nota revelando que veem com preocupação tal decisão sem os necessários protocolos de ensaio, conforme várias entidades do setor argumentaram em ofício enviado ao ministro das Minas e Energia, Alexandre Silveira de Oliveira, em 27 de abril passado.
Um novo ofício com teor semelhante foi enviado hoje ao ao secretário Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (SNPGB), Renato Cabral Dias Dutra.
Também o presidente da Abeifa, Marcelo de Godoy, em entrevista coletiva nesta terça-feira, deixou clara a posição da entidade contrária à medida.
“Já soltamos uma nota sobre isso, lembrando que a discussão tem de ser mais ampla. No caso dos importadores, é preciso conversar com as matrizes para fazer os ajustes necessários no motor a gasolina. O risco é de começar a ter veículos parados nas vias por causa desta alteração no teor do combustível”, comentou Godoy.
Sem contar, lembrou, que há carros em circulação que não foram adaptados para tal mistura.
De acordo com o Sindipeças, na elevação proposta do E30 para E32, a tolerância de mercado poderia levar a mistura efetiva até 34% (E34).
“Ressalta-se que não foram realizados ensaios com E34, razão pela qual não existem evidências experimentais suficientes sobre o comportamento da frota diante desse teor”, destaca a entidade que representa a indústria brasileira de autopeças.
O Sindipeças conclui sua nota dizendo estar disponível para colaborar mediante propostas metodológicas e protocolos que assegurem os testes necessários à integridade dos motores que rodam exclusivamente a gasolina, à segurança veicular e à proteção ao consumidor.
Posicionamento da Anfavea
Em nota na qual reafirma o apoio aos biocombustíveis como importante vantagem competitiva do Brasil para a descarbonização, a associação das montadoras questiona a falta de estudos técnicos específicos e conclusivos que comprovem a segurança e a compatibilidade dessa mistura com a frota brasileira.
“A entidade ressalta que os testes que embasaram a adoção da mistura de 30% de etanol na gasolina (E30) não validaram tecnicamente a elevação para 32% (E32). Os ensaios avaliaram apenas o desempenho e a dirigibilidade dos veículos, sem incluir testes de durabilidade, emissões, autonomia e nem a validação do funcionamento da frota com E32 como mistura obrigatória”, explica a Anfavea em comunicado divulgado na manhã desta quarta-feira, 15.
Ou seja, os citados estudos não representaram base técnica para justificar a elevação do teor de etanol para 32%, até porque com a decisão de adoção do E32, a especificação passará a admitir combustíveis com teor de etanol de até 34%, condição que também não foi objeto de validação técnica específica.
“A Anfavea reafirma que a adoção do E32 deveria ter sido precedida por novos estudos específicos, capazes de comprovar a compatibilidade da mistura com a
A decisão tomada nesta terça-feira, 14, pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), de aumentar o percentual de etanol anidro misturado à gasolina de 30% para 32%, não foi bem recebida por entidades do setor automotivo.











