Entidades alertam para impactos do tarifaço sobre a indústria de autopeças -

Entidades alertam para impactos do tarifaço sobre a indústria de autopeças

Para o Sindipeças e a Abipeças, a medida representa mais um obstáculo para um segmento que já enfrenta forte concorrência internacional e tenta ampliar sua presença no mercado externo.
Crédito: Shutterstock

O setor de autopeças entrou em estado de alerta e no Ministério da Indústria e Comércio, as entidades Abifa, Anfavea, Sindipeças, ABIMAQ estiveram juntas para encontrar soluções para o tema.

As novas sobretaxas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros ampliaram a preocupação da do setor na indústria nacional. Para o Sindipeças e a Abipeças, que representam mais de 520 fabricantes instalados no Brasil, a medida representa mais um obstáculo para um segmento que já enfrenta forte concorrência internacional e tenta ampliar sua presença no mercado externo.

Em nota, as duas entidades disseram que o impacto vai além do aumento de custos. A relação comercial entre Brasil e Estados Unidos já é favorável aos norte-americanos há mais de uma década. Desde 2010, a balança comercial de autopeças é superavitária para os EUA, o que torna a nova tributação ainda mais sensível para a indústria brasileira.

Pelas novas regras, as autopeças brasileiras que não estavam enquadradas nas listas da chamada Seção 232 passaram a pagar, desde 22 de julho, uma sobretaxa adicional de 25%. Além disso, uma nova cobrança de 12,5% deverá entrar em vigor nas próximas semanas, elevando a sobretaxa total para 37,5% em diversos produtos exportados para os Estados Unidos.

Reflexos

Entre janeiro e junho deste ano, o Brasil exportou US$ 567 milhões em autopeças para os Estados Unidos, segundo principal destino das vendas externas do setor, ficando atrás da Argentina. Mesmo antes das novas tarifas, o volume já apresentava queda de 10,4% em relação ao mesmo período de 2025 segundo o documento do Sindipeças.

O maior receio da indústria está na perda de competitividade em programas futuros das montadoras. Diferentemente de outros produtos, muitas autopeças são desenvolvidas exclusivamente para determinados veículos e plataformas, o que impede seu redirecionamento para outros mercados caso deixem de ser competitivas nos Estados Unidos.

O fato na ordem ordem direta pode significar perda de contratos estratégicos e redução da participação brasileira nas cadeias globais de fornecimento.

O cenário

Diante desse cenário, Sindipeças e Abipeças defendem a continuidade das negociações diplomáticas entre Brasil e Estados Unidos e pedem o fortalecimento de políticas industriais.

Propostas

Entre os pedidos estão a ampliação dos recursos destinados à pesquisa, desenvolvimento e inovação por meio do programa Mover e o reforço do programa Brasil Auto Parts, realizado em parceria com a ApexBrasil para ampliar a internacionalização da indústria nacional de autopeças, decisão que não acontece da noite para o dia.

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