AAPEX 2022 - evento que nos ensina muito sobre o futuro do aftermarket -

AAPEX 2022 – evento que nos ensina muito sobre o futuro do aftermarket

Tradicional feira foi realizada de 01 a 03 de novembro em Las Vegas, marcando o retorno das atividades presenciais

Por Marcelo Gabriel : [email protected]

Qualquer comparação do mercado de reposição automotiva com o mercado estadunidense carrega em si o peso da desproporção. Aqui temos por volta de 45 milhões de veículos rodando e lá são 290 milhões, ou quase 6,5 vezes a nossa frota, com todas as complicações envolvidas em um mercado que representa 21,2% de todo o aftermarket global segundo os dados da autocare.org, entidade representativa das comunidades envolvidas com o mercado de reposição: fabricantes, distribuidores, lojistas, oficinas, etc.

Da mesma forma como pudemos observar em setembro durante a Automechanika Frankfurt, a presença chinesa foi diminuta ou quase inexistente. O pavilhão tradicionalmente dedicado às empresas da China apresentou muitos espaços vazios, e a maioria dos fabricantes se fez representar pelos seus parceiros locais ou residentes. Já no pavilhão principal o que se pode visualizar foram os fabricantes tradicionais do mercado norte-americano, alguns deles sem presença no Brasil. Marcas que lá são referência no mercado e, algumas vezes, sinônimo de categoria de produto, por aqui são desconhecidas ou quando muito marginais.

O Brasil se fez presente mais uma vez em um evento internacional com o stand do Sindipeças, suportado pela APEX Brasil, com 13 empresas expondo seus produtos e fazendo negócios com importadores de todos os lugares do mundo. Cabe destacar que o stand do Brasil foi escolhido como o melhor dentre os países ali representados.

Associations In Motion

 Temos destacado há algum tempo a importância e a relevância dos temas Right to Repair e Right to Connect, e as movimentações internacionais em que o Brasil está inserido para que estas pautas sejam discutidas pela sociedade e influenciem os formuladores de políticas públicas. Tendo a ser bastante objetivo e direto em relação à necessidade premente de tratarmos do assunto – é caso de vida ou morte do mercado de reposição como conhecemos. Durante a AAPEX, realizou-se o encontro das entidades e associações representativas do aftermarket automotivo da Europa, Estados Unidos, Canadá, Austrália, Índia, México, Colômbia e Brasil para tratar dos temas coletivos ligados à manutenção veicular e ao comércio de peças e serviços. Nas próximas semanas e meses uma série de atividades serão realizadas em cada uma das regiões que compõem o coletivo Associations in Motion para dinamizar os temas tratados na reunião de Las Vegas, que no Brasil fazem parte da pauta da Aliança do Aftermarket Automotivo, surgida a partir da Carta de Fortaleza, e que reúne as entidades representativas do mercado de reposição local.

Tendências Futuras

Embora o tema eletrificação veicular esteja na pauta quando se fala em setor automotivo, a realidade prática é bem diferente quando o assunto é o mercado de reposição, principalmente o americano. De acordo com um relatório da S&P Global, os carros elétricos não são a “bala de prata” para resolver os problemas climáticos, sendo muito mais um tema da moda. Basta pensar no impacto que a falta de semicondutores causou na produção de veículos dito convencionais. A mesma consultoria elaborou três cenários para o futuro dos veículos elétricos no Estados Unidos em 2030: (1) 50% dos veículos comercializados seriam elétricos -> 37 milhões de unidades, (2) 34% dos veículos comercializados seriam elétricos -> 25 milhões de unidades, e a previsão mais conservadora em que 16 milhões dos veículos sejam elétricos. Fico com a previsão conservadora, e com viés de baixa. Outro dado relevante apresentado é que o perfil da frota estadunidense mudou radicalmente em 20 anos.

Em 2002 a frota de veículos de passageiros correspondia a 57% do total, enquanto o chamado light duty (que inclui caminhonetes e picapes) representava 43%. Em 2008 a proporção se manteve equilibrada 50% para cada segmento, e em 2022 o light duty passou para 62% da frota total. Como diz o adesivo que já vi em alguns veículos 6 cilindros ou nos V8s da vida: “quem gosta de motorzinho é dentista”. Com este perfil de frota, com a falta de semicondutores, com as matrizes energéticas menos sustentáveis sendo postas em funcionamento em função de diversas questões geopolíticas, não é de se esperar uma guinada radical rumo à eletrificação. O ponto de atenção que devemos ter em constante destaque é o movimento das montadoras em relação aos veículos conectados e ao direito à reparação. Estes sim podem mudar a cara do mercado de forma radical.

Marcelo Gabriel esteve em Las Vegas a convite da autocare.org


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