Abra Talks debate o futuro do Aftermarket Automotivo: Direito à Reparação, Inspeção Técnica Veicular e o avanço da Inteligência Artificial -

Abra Talks debate o futuro do Aftermarket Automotivo: Direito à Reparação, Inspeção Técnica Veicular e o avanço da Inteligência Artificial

Em entrevista, Marcelo Gabriel, Diretor da Aliança Aftermarket Automotivo, revela que o futuro da reparação automotiva passa pelo direito soberano do consumidor de escolher onde fazer a manutenção do carro; além de ressaltar a importância não só da Inspeção Técnica Veicular para a saúde pública e produtividade, mas também da IA que ainda precisa ser lapidada nas oficinas.
aftermarket automotivo
Crédito: Shutterstock

O setor de reposição automotiva aftermarket é responsável por manter o Brasil em movimento, respondendo por cerca de 80% de toda a manutenção da frota de veículos nacional após o período de garantia das montadoras. É o que afirma Marcelo Gabriel, Diretor de Assuntos Internacionais da Aliança Aftermarket Automotivo, no videocast Abra Talks da ABRAFILTROS – Associação Brasileira das Empresas de Filtros Automotivos, Industriais e para Estações de Tratamento de Água, Efluentes e Reúso.

Durante a entrevista, Marcelo destaca que, o número de concessionárias deve estar perto de 4.500 lojas, num país que tem 5.570 municípios. Portanto, só elas não dão conta de fazer a manutenção da frota. “Numa conta rápida, se precisasse usar a estrutura atual das concessionárias para fazer o serviço de troca, por exemplo, de filtros, que possui desgaste natural, seriam 12 anos de espera”, alerta o diretor da Aliança Aftermarket Automotivo, iniciativa cujo modelo é inspirado da Auto Care dos Estados Unidos, que congrega seis associações ligadas a veículos (ANFAPE, ANDAP, Sincopeças, Sindirepa Nacional, CONAREM e ASDAP), ressaltando a importância estratégica do Aftermarket para a mobilidade do País.

Aliança Aftermarket defende o direito à reparação – Uma das principais bandeiras defendidas pela Aliança Aftermarket Automotivo é o direito à reparação. “Com o avanço da tecnologia embarcada, os veículos ficaram conectados, mas a informação sobre o automóvel é do proprietário do veículo ou da montadora?”, questiona. Segundo Marcelo, isto passa por uma série de assuntos, inclusive, LGPD. Sem o diagnóstico toda a cadeia de valor para, pois, se a oficina não faz o diagnóstico, não consegue dizer qual a peça que precisa ser trocada e aí não existe varejo, distribuidor de autopeça e nem fabricante. “O direito à reparação passa pelo direito soberano de o consumidor escolher onde ele quer fazer a manutenção do seu veículo ou de qualquer outro produto”, ressalta. Na Europa, a questão está mais evoluída. Há o direito a reparar desde 2003 e, agora, o ponto é o direito relacionado à conexão. Alguns modelos novos de veículos não têm mais o ABD2, onde se conecta o scanner, fica na nuvem. 

Outra relevante causa defendida pela Aliança é a regulamentação da Inspeção Técnica Veicular (ITV), já prevista no Código de Trânsito Brasileiro, e fundamental para a segurança viária, redução de emissões e produtividade nacional. “O brasileiro tem o hábito da manutenção corretiva e vai rodando com o veículo até não dar mais. A inspeção técnica anteciparia acidentes e problemas que param o trânsito das cidades diariamente”, enfatiza.

Durante o videocast, foram abordados outros temas de relevância estratégica e geopolítica para o setor, incluindo o comportamento de compra de autopeças. “Os marketplaces enfrentam barreiras, pois o mecânico é o grande tomador de decisão na compra de autopeça, que é mais técnica, e, geralmente, utiliza o WhatsApp nas oficinas e em duas horas um motoboy chega com o produto na porta”, diz.

Também falou sobre diversos aspectos das novas tecnologias e da mobilidade, que, segundo ele, está passando do momento da posse para o uso. “Para o aftermarket, pode ser até mais benéfico, pois carros de aplicativo, por assinatura e carros de aluguel tendem a rodar mais”, afirma.

Exemplo prático da transição de posse para o uso na mobilidade – Marcelo conta que a Localiza fechou uma parceria na qual motoristas de aplicativo podem alugar um carro zero quilômetro para trabalhar. O motorista já inicia a semana com um saldo negativo do valor do aluguel semanal, e, conforme trabalha, quita esse valor e passa a lucrar. “Para o motorista, é vantajoso, pois caso o carro quebre a Localiza providencia um guincho, um transporte para levá-lo para casa e, no dia seguinte, já disponibiliza outro carro pronto e cadastrado no aplicativo da Uber para ele voltar a trabalhar imediatamente”, comenta o diretor da Aliança, explicando que a Localiza tem mais de 3.000 oficinas independentes credenciadas em todo o país para dar conta da manutenção dessa frota e não usa as concessionárias porque não teriam capilaridade para atender a essa demanda.

Dados, Inteligência Artificial, sustentabilidade e veículo elétrico – De acordo com Marcelo, o Aftermarket nacional ainda está cerca de dois a três passos atrás na corrida da Inteligência Artificial por conta da desestruturação de dados históricos, que muitas vezes permanecem anotados em papel ou na memória dos profissionais. No entanto, organizando e mapeando essas informações, pode facilitar e aumentar a produtividade. “Mas, toda vez que você coloca um dado na IA aberta, assim como ela busca lá fora, ela leva para fora também. Isto é um problema para as indústrias”, comenta.

No campo ambiental, o setor caminha para uma maturidade imposta pela Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) e pela logística reversa, como ocorre com óleos e pneus. Marcelo foi categórico: “No século XXI, sustentabilidade está diretamente relacionada à manutenção de negócio, pois chegamos no limite de recursos naturais, de escassez de acesso, e cada vez mais a logística reversa e a economia circular preserva e perpetua espécies no Planeta”, ressalta.

Com relação à mobilidade elétrica, diz que foi realizado um estudo e, no pior cenário até 2050, se identificou que apenas 12% dos carros serão elétricos devido a problemas insolúveis no País, como a escassez e alto custo da energia. “Estamos no meio do programa Mover, de mobilidade verde, quais são as montadoras instaladas no país que optaram por produzir elétricos?”, questionou. Há uma invasão de chinesas. Para o futuro, ele acredita que o carro elétrico está entre o veículo a combustão interna puro e o que virá depois, como o célula a hidrogênio e outras fontes de energia. Segundo Marcelo, os veículos flex impactam muito a questão dos elétricos. Além disso, dois em cada três veículos que estão rodando são flex e também usam etanol ao invés da gasolina, que é um combustível fóssil e altamente impactado pela Guerra do Oriente Médio, então, o Brasil não sofre tanto como outros países. “Eu acredito muito no veículo híbrido, é a solução sustentável”, conclui.

Para acessar a entrevista na íntegra, basta acessar o canal da TV Filtros no YouTube (https://www.youtube.com/watch?v=SJahJ2heszc).

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