Nos últimos 20 anos, alguns dos principais setores da economia brasileira passaram por profundas transformações impulsionadas por fundos de investimento, private equity e operações de fusões e aquisições. Saúde, educação e varejo alimentar são exemplos emblemáticos desse movimento.
Saúde: da pulverização aos gigantes bilionários
No início dos anos 2000, o setor de saúde suplementar era altamente fragmentado. A entrada de capital e a consolidação deram origem a grandes grupos nacionais. O caso mais emblemático foi a fusão entre Hapvida e NotreDame Intermédica, concluída em 2021, que criou uma companhia avaliada em cerca de R$ 110 bilhões, uma das maiores operações corporativas da história recente do país.
Educação: consolidação por aquisições
O ensino privado brasileiro também era formado por centenas de instituições independentes. Ao longo de duas décadas, grupos como Cogna (antiga Kroton), Yduqs (Estácio), Cruzeiro do Sul e Ser Educacional lideraram dezenas de aquisições, transformando um mercado pulverizado em um setor dominado por plataformas nacionais. Mesmo hoje, movimentos de consolidação continuam no radar, incluindo novas conversas entre Cogna e Yduqs.
Varejo alimentar: redes regionais transformadas em plataformas
O varejo supermercadista seguiu trajetória semelhante. Operações lideradas por Carrefour, Assaí, GPA e fundos de investimento reduziram gradualmente a participação de empresas independentes e ampliaram o peso das grandes plataformas nacionais.
E o Aftermarket Automotivo?
Sob vários aspectos, o aftermarket brasileiro lembra outros setores antes da consolidação:
| Característica | Saúde (anos 2000) | Educação (anos 2000) | Aftermarket hoje |
|---|---|---|---|
| Mercado pulverizado | ✓ | ✓ | ✓ |
| Empresas familiares | ✓ | ✓ | ✓ |
| Baixa concentração | ✓ | ✓ | ✓ |
| Receita recorrente | ✓ | ✓ | ✓ |
| Ganhos de escala relevantes | ✓ | ✓ | ✓ |
| Interesse de fundos | ✓ | ✓ | Crescente |
| Forte componente tecnológico | Médio | Alto | Crescente |
Mas há um diferencial importante. Enquanto saúde e educação dependem fortemente de regulação e de mudanças demográficas, o aftermarket se apoia em uma base de aproximadamente 48 milhões de autoveículos com idade média próxima de 11 anos – e com previsão de dobrar seu faturamento até 2040.
Essa combinação de escala, previsibilidade e baixa concentração é justamente o tipo de característica que costuma atrair fundos de private equity. (McKinsey). Ao que tudo indica, os investimentos observados até agora não representam o auge desse movimento, mas apenas seus primeiros capítulos. Em outras palavras, enquanto saúde, educação e varejo já viveram grandes ondas de consolidação, o Aftermarket Automotivo brasileiro pode estar apenas começando a viver a sua.











