Alta nos preços dos carros reflete a desarticulação das cadeias produtivas do setor automotivo na pandemia -

Alta nos preços dos carros reflete a desarticulação das cadeias produtivas do setor automotivo na pandemia

Situação é agravada pela Guerra na Ucrânia.

Folha de S. Paulo

Abastecer o carro, fazer a manutenção do veículo ou trocar de automóvel. Tudo isso passou a custar mais para o motorista brasileiro, mostra o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo).

No acumulado de 12 meses até fevereiro, o que mais chama atenção é a disparada dos combustíveis. Até o mês passado, o gás veicular teve inflação de 38,41%. É a maior alta de uma lista com 16 subitens, entre produtos e serviços, que integram o IPCA e pesam no bolso de quem tem carro.

Logo em seguida vem o etanol, cujos preços subiram 36,17% no mesmo período. A gasolina, por sua vez, avançou 32,62%, a terceira maior alta da lista.

Na pandemia, os preços de combustíveis subiram no Brasil diante do avanço do petróleo no mercado internacional e da alta do dólar. Os dois fatores são levados em consideração pela Petrobras na hora de definir os preços nas refinarias.

A escalada da inflação para o motorista vai além das bombas dos postos de combustíveis. Conforme o IPCA, os preços dos pneus subiram 28,20% nos 12 meses até fevereiro. No óleo lubrificante, a alta acumulada chegou a 20,61%.

Trocar de carro também virou uma tarefa mais custosa. A inflação do automóvel novo atingiu 18,49% até fevereiro. Já o automóvel usado subiu 16,97% no acumulado até o mês passado.

De acordo com analistas, a alta nos preços dos carros reflete a desarticulação das cadeias produtivas do setor automotivo na pandemia.

É que a crise sanitária interrompeu a operação de fábricas, gerando escassez de insumos. Assim, houve impactos sobre os valores finais dos automóveis.

O seguro de veículos, por sua vez, acumulou alta de 14,96% nos 12 meses até fevereiro. Acessórios e peças avançaram 10,12%. Já a pintura dos veículos teve alta de 9,41%.


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Dados Ido BGE mostram que, na média nacional, o IPCA-15 foi de 9,30% em 12 meses até agosto, maior taxa desde maio de 2016 (9,62%). A inflação segue distante, portanto, da meta de inflação perseguida pelo Banco Central (BC) neste ano, de 3,75%, com tolerância de 1,5 ponto porcentual para cima ou para baixa. O limite superior da meta é de 5,25%.