Aumento nos preços dos combustíveis afetará desempenho do varejo

A disparada nos preços da gasolina e diesel não afetará apenas a inflação, que já reduz o poder de compra dos consumidores, mas também deve provocar um aumento geral nos preços por conta do frete. Logo, o apetite dos consumidores deve cair nas próximas semanas com o orçamento mais apertado das famílias.

Por Victor Meira*

aumento dos combustíveis anunciado pela Petrobras  deve gerar um efeito cascata na economia. Um dos setores mais prejudicados pelo reajuste será o varejo, que já sofre com a inflação e taxa de juros mais altos.

Uma reportagem do jornal Valor Econômico revela uma revisão para baixo das projeções de crescimento do varejo feita por Tendências Consultoria e LCA Consultores. Com o reajuste dos combustíveis, as consultorias preveem quedas de 0,5% e 0,6% no volume de vendas, respectivamente. Anteriormente, a expectativa era um crescimento de 2,4% e 1,6%.

A disparada nos preços da gasolina e diesel não afetará apenas a inflação, que já reduz o poder de compra dos consumidores, mas também deve provocar um aumento geral nos preços por conta do frete. Logo, o apetite dos consumidores deve cair nas próximas semanas com o orçamento mais apertado das famílias.

A Tendências Consultoria diminuiu a expectativa para o crescimento do varejo restrito, o indicador que não inclui veículos nem material de construção, de 1,1% para 0,7%. Enquanto que a LCA Consultores continuou com a mesma projeção de 1,2%, porém com uma composição de componentes diferente: retração nos combustíveis e aumento maior em artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria.

O impacto do aumento dos combustíveis no varejo

Ao Valor Econômico, a economista da Tendências, Isabela Tavares, explica que a perspectiva era mais positiva com a diminuição dos preços dos combustíveis, valorização do real e o retorno dos consumidores nas lojas de forma presencial com o fim da pandemia. Contudo, os efeitos da guerra e as pressões inflacionárias cada vez maiores promoveram a volta de uma visão mais pessimista da economia.

Em 2020, em virtude das medidas de distanciamento social feitas para controlar os casos na pandemia de covid-19 promoveram uma queda de 9,7% nas vendas no varejo. No ano seguinte, o setor até conseguiu se recuperar no primeiro semestre, mas a disparada do preço do petróleo no mercado internacional a partir do meio do ano começou a pressionar o setor.

Tavares informa sobre o impacto disso no varejo, em que as vendas terminaram o 2021 com uma variação de apenas 0,3% em volume, mas a receita avançou 35,5%. Esse desequilíbrio entre a variação de receita e de volume de vendas têm ocorrido nos últimos meses, pelos dados da Pesquisa Mensal de Comércio (PMC), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e mostram o peso da inflação no setor, relata o gerente da pesquisa, Cristiano Santos. Em janeiro, dado mais recente, o volume de vendas caiu 0,4%, mais que o recuo de 0,2% da receita.

O economista Lucas Rocca, da LCA Consultores, corrobora com a opinião de Tavares sobre o impacto do reajuste dos combustíveis sobre o varejo. Ele calcula que o setor encerre o ano em patamar de 10% abaixo do que era registrado no fim de 2019. Os dados da PMC indicam que, em janeiro, o nível era 12,9% inferior ao registrado antes da pandemia, em fevereiro de 2020, o quarto pior desempenho entre as oito atividades que compõem o varejo restrito.
Ele ainda aponta que é difícil prever o que vai acontecer na guerra, mas ao analisar o reajuste da Petrobras e o fraco resultado do comércio em janeiro já mostram que a previsão é de uma nova queda em 2022, de 0,6%.

*cientista político e consultor no site Eu quero investir

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