Autop of Mind 2026: as marcas que não saem da cabeça dos reparadores -

Autop of Mind 2026: as marcas que não saem da cabeça dos reparadores

Conheça os primeiros resultados da nova edição da pesquisa criada em 1999 para avaliar a estratégia de comunicação e a lembrança das marcas de autopeças no Aftermarket Automotivo.

Qual é a primeira marca que você lembra? A pergunta parece simples, quase automática, mas carrega um dos ativos mais valiosos de qualquer indústria: a memória do cliente. Mais do que isso, revela quais empresas conseguiram atravessar os ruídos do mercado, superar a concorrência e ocupar um espaço privilegiado na mente de quem decide.

No Aftermarket Automotivo, essa disputa ganha contornos ainda mais complexos. Não basta falar com o consumidor final. É preciso dialogar com um elo decisivo da cadeia: o reparador. É ele quem recomenda, valida, influencia e, em grande parte das vezes, define a escolha. Nesse ambiente, lembrança de marca não é apenas imagem — é ferramenta de decisão.

Criada em 1999 pela Nhm – Novo Meio Hub de Mídia, a pesquisa Autop of Mind nasceu justamente para medir esse fenômeno: identificar quais marcas são lembradas espontaneamente por reparadores e proprietários de veículos e, a partir disso, avaliar a eficiência das estratégias de comunicação das indústrias do setor. Ao longo das edições, uma constatação se consolidou: estar na cabeça do mercado não é um detalhe. É uma vantagem competitiva relevante — ainda que não automática.

Ser top of mind não significa, necessariamente, liderar vendas. Tampouco garante preferência no ponto de venda. A lembrança oferece algo mais sutil, porém decisivo: um caminho aberto. A decisão de compra continua sendo influenciada por fatores objetivos como preço, disponibilidade, procedência e suporte técnico. Ainda assim, quando uma marca já está instalada na memória, ela sai na frente. Diante da dúvida, o consumidor — seja ele o motorista ou o profissional da oficina — tende a escolher o que reconhece.

No Aftermarket Automotivo, essa lógica ganha um filtro adicional: o conhecimento técnico. O reparador não apenas consome informação, ele interpreta, traduz e recomenda. Sua experiência prática tem o poder de amplificar ou comprometer a reputação de uma marca com rapidez e intensidade que nenhuma campanha publicitária consegue controlar. Uma experiência positiva fortalece a lembrança. Uma negativa pode eliminá-la — e, muitas vezes, de forma definitiva.

É nesse ponto que a Autop of Mind deixa de ser apenas um ranking de lembrança para se tornar um indicador estratégico. Quando há desalinhamento entre lembrança e desempenho de mercado — marcas muito lembradas, mas com baixa conversão em vendas — o problema pode estar além da comunicação. Pode indicar falhas de distribuição, indisponibilidade no ponto de venda ou fragilidade na entrega do produto. Por outro lado, marcas com bom desempenho comercial, mas baixa lembrança espontânea, revelam um potencial latente: estão próximas de transformar presença em relevância.

Momento é oportuno para gerar valor percebido

A edição 2026 da pesquisa Autop of Mind – realizada pelo After.Lab, núcleo de inteligência de negócios da Nhm – chega em um momento particularmente desafiador para o setor. O crescimento da frota circulante, impulsionado pelo mercado de usados, amplia a demanda por reposição. Ao mesmo tempo, a diversificação tecnológica dos veículos aumenta a complexidade da operação ao longo de toda a cadeia — da indústria à oficina. Novas marcas surgem, linhas de produtos se expandem e a gestão de estoque se torna mais exigente. Nesse cenário, comunicar bem deixou de ser diferencial. Passou a ser condição de permanência.

Comunicar bem, no entanto, não significa apenas aparecer. Significa gerar valor percebido, transmitir confiança técnica e sustentar uma presença consistente ao longo do tempo. Porque, no fim, o aftermarket não compra apenas produto. Compra segurança — e essa segurança começa, muitas vezes, pela familiaridade com a marca e a confiança adquirida com a experiência.

Nesta edição, apresentamos a primeira parte da divulgação dos resultados da Autop of Mind 2026. Para esta etapa, foram entrevistados 464 reparadores nas nove principais capitais do país: Belo Horizonte, Brasília, Curitiba, Fortaleza, Porto Alegre, Salvador, São Paulo, Recife e Rio de Janeiro. A pesquisa é dividida em duas fases: em maio, o AAFD divulgará os resultados do estudo realizado junto aos proprietários de veículos.

Um ponto muito importante: a pesquisa Autop of Mind investiga a resposta imediata e espontânea dos entrevistados acerca de cada linha de produto proposta, sem qualquer interferência do entrevistador. Isso significa que, em determinados casos, pode haver a citação de uma marca para um produto que ela não fabrica nem oferece ao mercado. Nesta edição, foi o caso específico da aparição da NGK no quesito ‘bicos injetores’. Por se tratar de uma linha em que há forte concentração em duas marcas principais, as citações subsequentes, embora pouco representativas, acabam por reunir índices muito próximos – e baixos – de lembrança, sobressaindo-se alguma delas por pequena diferença. Foi o que aconteceu no quesito ‘bicos injetores’ e, para retratar com total fidelidade o que disseram os entrevistados, optamos por preservar as citações na íntegra.

Feita esta ressalva, as respostas obtidas junto aos reparadores – que você conhece nas tabelas a seguir – revelam quem conseguiu construir presença e ocupar espaço privilegiado na memória do mercado. Mais do que nomes, os resultados indicam quais empresas foram capazes de estabelecer uma conexão efetiva com seus públicos, transformando comunicação em lembrança e lembrança em relevância. Porque, no aftermarket, não basta ser visto. É preciso ser lembrado. E, no momento decisivo, ser escolhido.

Autop of Mind 2026 – Reparadores

Autopeças
COFAP19,4%
BOSCH15,9%
MONROE10,8%
Rolamentos
SKF57,3%
INA19,0%
FAG8,0%
Filtros
WEGA29,3%
TECFIL19,2%
MANN17,9%
Anéis e pistões
MAHLE METAL LEVE63,4%
COFAP4,1%
TAKAO3,4%
Combustível
SHELL38,8%
BR PETROBRAS30,6%
IPIRANGA19,0%
Amortecedores
COFAP45,3%
MONROE29,5%
KYB / KAYABA10,3%
Disco de freio
FREMAX44,8%
HIPPER FREIOS29,3%
TRW VARGA10,1%
Borracha de suspensão
MONROE AXIOS50,9%
SAMPEL14,0%
MOBENSANI8,0%
Baterias
MOURA58,6%
HELIAR30,0%
BOSCH4,5%
Pastilhas e lonas
COBREQ39,0%
FRAS-LE33,2%
SYL5,4%
Molas de suspensão
FABRINI19,0%
COFAP17,7%
TIGRE7,5%
Correias
CONTINENTAL CONTITECH38,1%
DAYCO29,5%
GATES22,6%
Pneus
PIRELLI23,9%
MICHELIN19,0%
CONTINENTAL18,8%
Juntas e retentores
SABÓ77,2%
HENGST6,3%
ELRING4,5%
Embreagens
LUK78,2%
SACHS11,4%
VALEO3,9%
Bandeja de suspensão
NAKATA28,9%
COFAP25,2%
PERFECT11,4%
Pivô e terminal
NAKATA30,6%
VIEMAR23,7%
PERFECT12,7%
Escapamentos
MASTRA23,9%
SCAPEX11,2%
TUPER8,4%
Sondas e sensores
NTK46,3%
BOSCH23,5%
MTE THOMSON12,3%
Velas de ignição
NGK86,6%
BOSCH10,3%
MAGNETI MARELLI0,9%
Bico injetor
BOSCH61,6%
MAGNETI MARELLI14,2%
NGK3,7%
Menos defeitos
NGK14,7%
BOSCH14,2%
COFAP11,2%
Óleos lubrificantes
MOBIL16,4%
BR LUBRAX12,9%
SHELL12,9%
Ferramentas
GEDORE52,8%
RAVEN9,7%
KING TONY4,7%
Equipamentos de oficina
SUN11,0%
ELEVACAR6,3%
RAVEN4,7%
Cursos e treinamentos
BOSCH9,5%
NGK3,4%
MONROE1,7%
Veículos populares
FIAT32,1%
VOLKSWAGEN25,2%
CHEVROLET22,8%
Veículos médios
TOYOTA16,8%
VOLKSWAGEN14,0%
CHEVROLET13,8%
Veículos de luxo
BMW17,5%
TOYOTA15,3%
MERCEDES-BENZ14,7%
Marca de autopeças mais admirada
BOSCH15,3%
COFAP9,5%
NGK8,6%

Pesquisa traz informações complementares sobre hábitos do reparador

Por Laura Lessa, do After.Lab

Além de investigar as marcas do universo automotivo mais lembradas pelos reparadores, a pesquisa Autop of Mind também traz, tradicionalmente, algumas informações complementares acerca dos hábitos e rotinas de trabalho apuradas junto aos 464 respondentes entrevistados pelos profissionais do After.Lab. A seguir, trazemos estas informações. 

Decisão de marca

Na soma total das respostas, 84% dos reparadores ouvidos afirmaram que são eles que escolhem a marca da autopeça a ser trocada, frente a 13% que delegam o poder de decisão aos proprietários dos veículos. Quando verificamos esse poder de decisão com base no tamanho do estabelecimento, notamos que essa faixa percentual se mantém.

Quando ampliamos a análise dos resultados para um entendimento local (em cada uma das capitais participantes da pesquisa – Tabela 2), vemos que a dinâmica do poder de escolha se repete, com a menor disparidade ocorrendo em Fortaleza: 25,7% dos respondentes indicaram que o proprietário possui o poder de decisão final.

Fonte: After.Lab

Tabela 2 – Percentual de decisão de troca por capital

Decisão de trocaBelo Horizonte (%)Brasília (%)Curitiba (%)Fortaleza (%)Porto Alegre (%)Recife (%)Rio de Janeiro (%)Salvador (%)São Paulo (%)
Reparador86,585,468,074,385,776,285,481,287,7
Proprietário10,814,616,025,79,523,813,515,68,6
Loja de Autopeças2,70,08,00,04,80,00,00,00,0
Concessionária0,00,08,00,00,00,01,13,13,7
Total100,0100,0100,0100,0100,0100,0100,0100,0100,0

Fonte: After.Lab

Onde compra as autopeças

Os distribuidores permanecem como o principal ponto de fornecimento de autopeças para as oficinas no mercado brasileiro, englobando 55% de todos os reparadores respondentes. Essa preferência é independente do tamanho do estabelecimento, isto é, os distribuidores permanecem no topo mesmo com a análise estratificada considerando o tamanho dos estabelecimentos (micro, pequeno, médio e grande). Em relação à última edição da pesquisa Autop of Mind (2024), o varejo aumentou sua fatia no mercado (38% na edição atual, frente a 27% na edição anterior), mas ainda distante de alcançar a magnitude das empresas de distribuição. Quando analisamos os resultados por capital, vemos que o cenário se repete, com exceção de São Paulo, onde a fatia que compreende o maior percentual de fornecimento de autopeças pertence às lojas de varejo (64,4%).

Fonte: After.Lab

Tabela 3 – Tipo de estabelecimento em que os reparadores compram as peças por capital

Local de compraBelo Horizonte (%)Brasília (%)Curitiba (%)Fortaleza (%)Porto Alegre (%)Recife (%)Rio de Janeiro (%)Salvador (%)São Paulo (%)
Distribuidor78,475,676,060,090,595,257,362,528,8
Loja de Autopeças13,522,016,031,49,54,834,828,164,4
Concessionária8,12,48,08,60,00,06,79,45,5
Indústria0,00,00,00,00,00,00,00,01,2
Internet0,00,00,00,00,00,01,10,00,0
Total100,0100,0100,0100,0100,0100,0100,0100,0100,0

Fonte: After.Lab

Perfil dos entrevistados

Não houve estratificação prévia da amostra quanto a ramo de atividade e número de funcionários. 

Quanto ao tipo de veículo atendido, 97,4% dos entrevistados atendem veículos leves e médios, enquanto 2,6% atendem veículos médios e pesados. Referente ao número de veículos atendidos por dia nas oficinas, em média, 38,1% atendem de 6 a 10 veículos por dia, 30,2% atendem de 1 a 5 veículos e 14,7% atendem de 11 a 15 veículos diariamente. 

No tocante ao tamanho das oficinas, 48,9% são caracterizadas como pequenas e possuem de 1 a 4 funcionários no atendimento dos veículos; 27,2% das oficinas são médias (5 a 9 funcionários) e apenas 6,5% são caracterizadas como grandes (acima de 20 funcionários).

Fonte: After.Lab

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