Cadeia de estoque infinito pode ser o futuro, mas maior controle sobre repasse de preços ainda é principal vantagem de varejos que construíram seus CDs

A capacidade de servir como polos de escoamento das vendas intermediadas pela indústria, operando dentro da cadeia do chamado ‘estoque infinito’, pode ser o principal benefício futuro de varejos que apostam em centros de distribuição (CD).

Lucas Torres [email protected]

A capacidade de servir como polos de escoamento das vendas intermediadas pela indústria, operando dentro da cadeia do chamado ‘estoque infinito’, pode ser o principal benefício futuro de varejos que apostam em centros de distribuição (CD). De acordo com empresas que já há algum tempo possuem CDs, no entanto, ter maior controle sobre o repasse de preços ao consumidor final tem sido a principal vantagem competitiva de seus negócios. Essa noção ficou muito clara nas reflexões de Sandra Bressan, gerente de compras da Josecar, e Roberto Rocha, fundador da Rocha Autopeças, em uma rodada de entrevistas promovida pelo NV Automotivo. Durante o bate-papo com nossa reportagem, os gestores refletiram ainda sobre os motivos que levaram seus varejos a investirem no conceito de CD, bem como a maneira com que enxergam a disseminação desta prática no varejo de autopeças nacional.

Novo Varejo – Já há algum tempo vocês, além de varejos, são também distribuidores de autopeças. O que levou Josecar e Rocha Autopeças a expandirem seus escopos de atuação?

Roberto Rocha – Há muito tempo atrás, quando começamos a comprar de indústrias vi a necessidade de ter um espaço destinado a receber os produtos enviados pelas fábricas para posterior distribuição para lojas. Decidi, portanto, construir o nosso CD e partir para uma estrutura de distribuidor.

Sandra Bressan – A expansão de atuação foi decorrente de várias necessidades, como aumento de portfólio, otimização na armazenagem, agilidade no abastecimento de nossas unidades e a melhoria no nível de serviço ao cliente.

Novo Varejo – Entre os resultados que vocês alcançaram com os CDs, quais foram aqueles de maior impacto?

Roberto Rocha – O bom resultado foi que conseguimos ter um pulmão de peças dentro do nosso CD, de forma a atender as lojas rapidamente, sem ter necessidade de cotar e sair comprando para atender os clientes. E com as peças dentro de casa podemos definir os preços de venda e conseguir prever a duração do estoque. Houve um reforço da imagem que o Rocha vende mais barato.

Sandra Bressan – Nossos resultados foram crescimento de venda e maior domínio do negócio “varejo”, pois nossa distribuição é dedicada às nossas unidades.

Novo Varejo – Quais impactos vocês acreditam que tiveram na região em que suas empresas atuam?

Roberto Rocha – Com o CD conseguimos precificar os produtos de venda antecipadamente e podemos definir o estoque a ser comprado da fábrica para garantir o prazo e o preço de venda do produto. Nestes dias de alta de preços ter um estoque reforçado nos permite atrasar o aumento de preço na ponta, de forma que os clientes conseguem pagar um preço melhor por mais tempo. Isto favorece a relação com os clientes que fazem cotação de preços na hora da compra.

Sandra Bressan – Os impactos têm sido avaliados como positivos, tanto com fabricantes quanto distribuidores e, principalmente, com nossos clientes. Os clientes foram os mais impactados ao mesmo tempo em que também foram os mais beneficiados: conseguimos oferecer melhores condições e maior agilidade.

Novo Varejo – Nos últimos anos, temos visto um número cada vez maior de empresas que nasceram como varejos de autopeças ‘virando a chave’ para absorver também o papel de distribuidor. A que você atribui este cenário?

Roberto Rocha – Da mesma forma que os distribuidores foram para o varejo, os varejos foram para o atacado para conseguir garantir a sobrevivência, sem ter o preço da fábrica como custo a venda fica difícil de ser concretizada. Muitas lojas menores hoje estão optando pela sonegação fiscal para sobreviver, fazendo compras fora do estado sem recolhimento da Substituição Tributária, que gera um passivo impagável para muitos, porque eles não se beneficiam da sonegação, pois repassam a vantagem ao cliente.

Sandra Bressan – Temos que entender o real significado dessa “virada de chave”. A Josecar é uma distribuidora com rede própria. Os varejos atuam com uma grande diversidade de marcas e a exigência dos clientes é cada vez mais elevada. É natural a busca na melhoria do nível de serviço e o atendimento a tudo isso pelas distribuidoras é quase impossível. Essa mudança de cenário não é repentina, atribuímos ao próprio mercado que, de maneira orgânica, está fomentado essa adaptação aos varejos.

Novo Varejo – Quais são os principais desafios desta transição de varejo para distribuidor?

Roberto Rocha: O desafio é conseguir montar um estoque para atender os clientes, todo dia sai uma peça nova e o lucro obtido com a venda de uma peça, hoje muito baixo, demanda um investimento grande para manter o estoque atualizado. Creio que autopeças é um segmento onde todo mês nós reinvestimos grande parte do lucro obtido para nos manter no mercado, considerando que todo ano precisamos aumentar as instalações para acomodar estes itens novos.

Sandra Bressan – É o domínio na gestão consciente do negócio, que tem como desafios o aprimoramento profissional, a visão sistêmica de todos os processos, trabalho em equipe e muita garra.

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