A conscientização sobre os veículos totalmente autônomos (AVs) continua crescendo, mas a confiança dos consumidores não acompanha o avanço, segundo o estudo Índice de Confiança em Mobilidade (MCI) dos Estados Unidos 2026, da JD Power.
O entendimento dos consumidores sobre os veículos autônomos melhorou em 2026, com 58% identificando corretamente o conceito de automação total, ante 43% em 2024. Mas, preocupações fundamentais relacionadas à segurança, desempenho e confiança continuam desacelerando a adoção da tecnologia e, em alguns casos, aumentando a hesitação.
Mesmo com consumidores mais bem informados, suas expectativas estão crescendo mais rapidamente do que seu nível de conforto. Atualmente, menos de um em cada quatro afirma sentir-se confortável em viajar em um veículo totalmente autônomo, evidenciando uma lacuna persistente entre conhecimento e disposição para uso.
A confiança nesses veículos também varia conforme a situação. Os consumidores demonstram maior confiança em cenários previsíveis e de baixo risco: 54% afirmam confiar bastante em aplicações como retirada de alimentos, enquanto apenas 31% se mostram confiantes em situações envolvendo o transporte de crianças, o que demonstra que a confiança diminui à medida que aumenta a percepção de risco.
“Os consumidores estão aprendendo mais sobre veículos totalmente autônomos, mas ainda não estão se tornando mais confiantes em relação a eles”, afirmou Bryan Reimer, pesquisador do AgeLab do Centro de Transporte e Logística do MIT. “Isso deveria preocupar qualquer pessoa que espera ampliar essa tecnologia. Veículos autônomos precisam de mais do que avanços em engenharia, projetos-piloto maiores ou educação pública. Eles precisam de um ecossistema confiável, baseado em dados transparentes de desempenho, mecanismos de governança e responsabilidade claramente definida”.
Principais conclusões do Índice de 2026
• O Índice de Confiança em Mobilidade, que mede o nível de conforto dos consumidores em relação aos veículos totalmente autônomos e sua intenção de compra, permaneceu praticamente estável nos últimos três anos. A pontuação subiu de 37 pontos (em uma escala de 100) em 2023 para 39 em 2024, mantendo-se em 39 em 2026.
• A segurança pessoal é a principal preocupação para 60% dos consumidores, seguida pela capacidade de lidar com emergências (58%) e pelo desempenho em condições desafiadoras, como mau tempo e tráfego intenso (51%).
• Quase um terço (30%) dos consumidores afirma que veículos autônomos não teriam valor em nenhum momento de suas vidas. Entre aqueles que enxergam benefícios, a aposentadoria aparece como a fase mais favorável, com entre 24% e 28% dos entrevistados, dependendo do grupo demográfico, apontando esse período como o mais valioso para a adoção da tecnologia.
Os consumidores também reconhecem valor significativo em necessidades temporárias ou circunstanciais, como deslocamentos para consultas médicas ou limitações de mobilidade, com 25% classificando essas situações como de alto valor.
China investe 57% a mais que fornecedores da UE
A ambição da Europa de liderar a transição global para veículos elétricos (VE) enfrenta uma seca estrutural de investimentos. Novos dados revelam que, entre 2021 e 2026, o investimento dos fornecedores automotivos da UE permaneceu totalmente estagnado. Em forte contraste, o investimento chinês no setor aumentou 57%, criando um cenário global assimétrico que ameaça a espinha dorsal industrial da Europa.
Além disso, as previsões atuais mostram que a produção europeia de veículos elétricos a bateria (BEV) em 2032 foi revisada para baixo, de mais de 10,3 milhões de veículos para cerca de 8,2 milhões – resultando em um déficit acumulado de aproximadamente 10 milhões de veículos até 2032, em comparação com as projeções feitas um ano antes.
Embora os fornecedores europeus tenham investido capital consistentemente na transição, eles estão enfrentando um obstáculo econômico. Custos estruturais de produção sem precedentes, cadeias de suprimentos fragmentadas e entraves regulatórios na Europa estão sufocando a capacidade de escalar a inovação de forma competitiva. Isso também se deve a um ambiente regulatório e econômico que atualmente penaliza a expansão local, enquanto os concorrentes globais aceleram com apoio estatal maciço.










