Consumidor fluminense está mais otimista e menos endividado -

Consumidor fluminense está mais otimista e menos endividado

estudo do Instituto Fecomércio de Pesquisas e Análises (IFec RJ), 38,2% dos fluminenses responderam que estão confiantes ou muito confiantes em relação à retomada da economia brasileira.

Os consumidores voltaram a ter esperança e estão mais confiantes. Em novo estudo do Instituto Fecomércio de Pesquisas e Análises (IFec RJ), 38,2% dos fluminenses responderam que estão confiantes ou muito confiantes em relação à retomada da economia brasileira, percentual maior do que o registrado em dezembro (35,2%). Para 20,5%, a situação não será alterada. Cerca de 21,7% dos entrevistados estão desacreditados na economia e 19,6% muito pessimistas.

O índice, que varia de 0 a 200 com a subtração dos confiantes e não confiantes, alcançou 96,8, abaixo do valor neutro de 100, o que significa que mais agentes estão pessimistas que otimistas. Em dezembro o valor era de 90,1.

Perguntados sobre as expectativas para a retomada da economia do estado do Rio no próximo trimestre, 30,9% se mostram confiantes ou muito confiantes, seguidos por 23,5% acreditam que não haverá mudanças, e 45,6% que se mostraram pessimistas ou muito pessimistas.

Aqui o índice alcançou 85,3, 8,2 pontos acima do resultado de dezembro. Apesar da evolução, os agentes estão muito mais otimistas com a retomada da economia brasileira do que com a economia fluminense.

EMPREGO

A pesquisa também mostra que aumentou o número de fluminenses confiantes no que diz respeito a emprego: 39,4% não estão com medo da demissão, ou seja, houve aumento de sete pontos percentuais em relação ao apurado em dezembro (32,1%). O número de cidadãos com medo ou muito medo de perder o emprego caiu de 67,9%, em dezembro, para 60,6%, em janeiro.

RENDA FAMILIAR

Para 44,7% dos entrevistados, a renda familiar permanecerá estável, percentual 4 pontos maior do que o apurado em dezembro (40,7%). Já os que estão pessimistas ou muito pessimistas em relação ao orçamento familiar representaram 35,2% dos entrevistados. Para 15,2%, a renda será aumentada e apenas 4,9% creem numa melhora significativa.

Nesse caso, o índice alcançou o valor de 85 pontos, 10,9 acima do obtido em dezembro. Apesar de ser o mais distante da neutralidade, o item foi o que mais cresceu em relação à expectativa sobre a economia fluminense e economia brasileira.

ENDIVIDAMENTO

Além disso, o estudo aponta que muitos consumidores diminuíram seus gastos, tendo em vista que o endividamento extremo apresentou queda: o número de fluminenses muito endividados caiu de 21,3%, em dezembro, para 16,6%, em janeiro, assim como o de endividados: de 25,5% para 24,9%. O número de consumidores com poucas dívidas aumentou de 18,9% para 24,2% e o de entrevistados sem se manteve em 34,3%. Vale ressaltar que o aumento dos que dizem que tem pouca dívida é uma migração dos grupos endividados ou muito endividados.

INADIMPLÊNCIA

Houve também queda na inadimplência: os muito inadimplentes passaram de 10,5% para 9,5% e os que possuem contas atrasadas passou de 19,1% para 17,7%. O percentual dos que estão com poucos inadimplentes passou de 20,2% para 19,8%. A pesquisa constatou, ainda, o aumento dos consumidores sem restrições: de 50,1% para 53%.

No ranking da inadimplência, o cartão de crédito continua na primeira colocação (54,9%); as contas de luz, água, telefone, gás e internet (37,3%); o crédito pessoal (25,5%) e o cheque especial (24,7%).

CONSUMO

Questionados sobre aumento dos preços dos bens e serviços que consomem, 92,7% afirmam que estes estão aumentando. Para 3,7%, estes valores se estabilizaram e, para apenas 1,1%, diminuíram. 2,4% não souberam responder. Sobre os gastos com bens duráveis nos próximos três meses, 38,6% pretendem manter, 32,1% aumentarão as compras e 29,3% gastarão menos. Embora haja aumento de confiança do consumidor, o estudo mostra que os fluminenses deixaram de comprar nos últimos meses e não devem consumir tanto no próximo trimestre.

A sondagem contou com a participação de 566 moradores do estado do Rio de Janeiro, com o objetivo de entender quais as expectativas dos fluminenses com relação a retomada da economia nacional e estadual, além da percepção sobre o desemprego e renda familiar, entre outros indicadores

EM SÃO PAULO

Para a FecomercioSP, o crescimento da confiança das famílias paulistanas ainda não deve ser comemorado: se, por um lado, aproveitaram oportunidades do fim do ano, quando os varejistas oferecem descontos maiores para atrair o público, por outro, o fim do auxílio emergencial e a inflação dos alimentos, que deve permanecer no começo deste ano, são elementos que podem minar o retorno ao consumo.

Isso se observa na comparação anual entre duas variáveis: a Perspectiva Profissional e a Renda Atual. A primeira cresceu 4,6% em janeiro, mas acumula queda de 16,4% em comparação ao mesmo mês de 2020. Já o nível de renda obteve alta de 1,9% em relação a dezembro, mas é 41,7% menor do que no início do ano passado.

No entendimento da Federação, com menos renda e mais pessimismo quanto a emprego, a tendência para os próximos meses é de que as famílias fiquem mais cautelosas na hora de comprar.

Os números são muito parecidos com os do Índice de Confiança do Consumidor (ICC), que subiu 3,9% em janeiro, saindo dos 111,7 pontos para 116,1 agora. É a melhor pontuação desde março de 2020, quando apontava 124,6. Ao contrário do ICF, no entanto, o indicador teve desempenho irregular ao longo do segundo semestre de 2020, chegando a crescer 5,6% entre agosto e setembro, mas voltando a cair nos meses seguintes.

Na comparação anual, porém, a queda é menor: -4,3% entre janeiro de 2020 e o mês atual.

O melhor resultado foi do Índice das Condições Econômicas Atuais (ICEA), que registrou alta expressiva de 12% entre dezembro e janeiro: de 66,2 para 74,1 pontos. É a primeira vez que o indicador chega à casa dos 70 pontos desde abril passado.

Endividamento
O número de famílias endividadas na cidade de São Paulo também voltou a crescer, segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC), também elaborada pela FecomercioSP. Em janeiro, 58,7% tinham alguma dívida – alta de um ponto porcentual em relação a dezembro (57,7%).

Isso indica, para a Federação, que a inflação dos alimentos, ao pressionar o orçamento familiar, faz com que o cartão de crédito seja a única saída para outros tipos de consumo, além da poupança adquirida durante a quarentena do ano passado.

Já a quantidade de famílias com contas em atraso permanece praticamente no mesmo patamar desde setembro do ano passado, fechando o mês em 18,7%. A taxa, no entanto, representa alta significativa em relação ao segundo trimestre, auge da pandemia da covid-19, quando chegou a ficar em 15,6% em junho de 2020.

Em números absolutos, o município paulistano tem 2,33 milhões de famílias endividadas e 743 mil inadimplentes atualmente. Diante desse cenário, é momento de os varejistas organizarem custos e estoques, além de precificar produtos de forma a atrair a demanda sem prejudicar a margem de lucro. São medidas que, em uma conjuntura desfavorável, podem evitar prejuízos maiores.

Notas metodológicas
ICF
O Índice de Intenção de Consumo das Famílias (ICF) é apurado mensalmente
pela FecomercioSP desde janeiro de 2010, com dados de 2,2 mil consumidores no município de São Paulo. O ICF é composto por sete itens: Emprego Atual; Perspectiva Profissional; Renda Atual; Acesso ao Crédito; Nível de Consumo; Perspectiva de Consumo e Momento para Duráveis. O índice vai de zero a 200 pontos, no qual abaixo de 100 pontos é considerado insatisfatório, e acima de 100 pontos, satisfatório. O objetivo da pesquisa é ser um indicador antecedente de vendas do comércio, tornando possível, a partir do ponto de vista dos consumidores e não por uso de modelos econométricos, ser uma ferramenta poderosa para o varejo, para os fabricantes, para as consultorias, assim como para as instituições financeiras.

ICC
O Índice de Confiança do Consumidor (ICC) é apurado mensalmente pela FecomercioSP desde 1994. Os dados são coletados com aproximadamente 2,1 mil consumidores no município de São Paulo. O objetivo é identificar o sentimento dos consumidores levando em conta suas condições econômicas atuais e suas expectativas quanto à situação econômica futura. Esses dados são segmentados por nível de renda, sexo e idade. O ICC varia de zero (pessimismo total) a 200 (otimismo total). Sua composição, além do índice geral, se apresenta como: Índice das Condições Econômicas Atuais (ICEA) e Índice das Expectativas do Consumidor (IEC). Os dados da pesquisa servem como um balizador para decisões de investimento e para formação de estoques por parte dos varejistas, bem como para outros tipos de investimento das empresas.


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