Renato Paladino, consultor jurídico do Sincopeças-SP, advogado especialista em Direito Empresarial
Nos últimos anos, a advocacia passou por uma transformação silenciosa, porém estrutural. Essa mudança não se limita a grandes escritórios ou bancas altamente especializadas; ela impacta de forma direta a atuação junto a pessoas físicas e, principalmente, a pequenas e médias empresas — ambientes em que a relação de confiança e proximidade é determinante.
Historicamente, o advogado foi percebido — e muitas vezes se posicionou — como um profissional essencialmente reativo: acionado quando o problema já estava instalado. A demanda surgia após o ajuizamento de uma ação, a formalização inadequada de um contrato, o agravamento de um conflito societário ou a consolidação de um passivo trabalhista. Durante muito tempo, esse modelo foi suficiente para atender às expectativas do mercado.
Esse cenário, contudo, mudou.
Atualmente, clientes — sejam pessoas físicas organizando seu patrimônio ou PMEs estruturando crescimento e expansão — não buscam apenas a solução de litígios. Buscam previsibilidade, orientação estratégica e segurança jurídica antes que o risco se concretize. Essa nova dinâmica exige do advogado um reposicionamento claro: deixar de atuar exclusivamente como solucionador de crises e assumir, de forma consistente, o papel de consultor estratégico e gestor de riscos.
A mudança está diretamente relacionada à evolução das expectativas do mercado. Clareza quanto ao escopo dos serviços, comunicação objetiva e orientação prática deixaram de ser diferenciais competitivos e passaram a constituir premissas básicas. Empresas querem compreender, com transparência, quais riscos estão assumindo, quais alternativas possuem e quais impactos jurídicos podem afetar sua operação, reputação e resultados.
Mais do que domínio técnico, o diferencial hoje está na capacidade de compreender o contexto do cliente. Entender o modelo de negócio da PME, seus riscos operacionais, seu momento de expansão, suas vulnerabilidades regulatórias. Ou, no caso de pessoas físicas, compreender a estrutura patrimonial, os objetivos de longo prazo e os riscos sucessórios. O advogado contemporâneo não atua apenas como intérprete da norma; ele contribui para a tomada de decisões estratégicas.
Essa atuação pressupõe uma mudança de mentalidade: foco em prevenção, estruturação contratual com visão prospectiva, mapeamento de riscos e construção de relações contínuas de assessoria. Trata-se de substituir a lógica episódica e reativa por uma abordagem estratégica e permanente.
Para as empresas que ainda não incorporaram esse tipo de apoio jurídico em sua gestão, o alerta é claro: no ambiente regulatório e competitivo atual, a ausência de assessoria preventiva não representa economia — representa exposição. Riscos não identificados se transformam em passivos; decisões não estruturadas geram contingências; contratos mal planejados comprometem crescimento.
Antecipar-se deixou de ser uma vantagem. Tornou-se uma necessidade estratégica.











