Famílias paulistanas iniciam o ano mais confiantes e dispostas a consumir, aponta FecomercioSP -

Famílias paulistanas iniciam o ano mais confiantes e dispostas a consumir, aponta FecomercioSP

Segundo o levantamento, a expectativa é de recuperação gradual e cautelosa, impulsionada pelo otimismo sazonal
Crédito: Shutterstock

O ano iniciou com a continuidade da recuperação do consumo, mesmo diante de restrição financeira com contas típicas de início de ano e juros elevados. Segundo a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP), a Intenção de Consumo das Famílias (ICF) —  que mede o humor e a propensão imediata ao consumo — registrou alta de 2,4% em relação a dezembro e alcançou 115,4 pontos em janeiro [gráfico 1]. O indicador que reflete percepções sobre o ambiente econômico e as expectativas de longo prazo,  o Índice de Confiança do Consumidor (ICC), também avançou 2,4% frente a dezembro, marcando 127,4 pontos [gráfico 2]. 

[GRÁFICO 1]
Intenção de Consumo das Famílias (ICF)

Série Histórica — 13 meses
Fonte: FecomercioSP

[GRÁFICO 2]
Índice de Confiança do Consumidor (ICC)

Série histórica — 13 meses
Fonte: FecomercioSP

 
Segundo a FecomercioSP, os resultados de janeiro indicam recuperação gradual na intenção de consumo e um ambiente mais otimista, sentimento típico de início de ano, sendo sustentado pela resiliência do mercado de trabalho, pela maior estabilidade da renda e pelos avanços pontuais no acesso ao crédito. Contudo, apesar desses números, a Federação reforça que o cenário macroeconômico ainda é marcado por incertezas, especialmente em decorrência do ambiente eleitoral, que tende a elevar a percepção de risco fiscal e pode influenciar as decisões sobre a taxa Selic.

Mercado de trabalho e renda sustentam confiança das famílias
No recorte agregado, o ICF de janeiro foi sustentado pela melhoria nos indicadores de emprego atual, acesso ao crédito, nível de consumo corrente e momento para a compra de bens duráveis. Esse desempenho reflete o mercado de trabalho, que, a despeito de sinais de desaceleração do seu ritmo de alta, ainda opera com níveis elevados de ocupação, sustentado pela renda disponível e por uma menor percepção de risco imediato [tabela 1].

[TABELA 1]
Intenção de consumo das famílias  (ICF) – Faixa de renda
Fonte: FecomercioSP

Na análise por faixa de renda, o avanço do indicador foi mais intenso entre as famílias com renda de até dez salários mínimos, que atingiram 114,2 pontos — alta de 2,7% no mês e expressivo crescimento de 7,6% na comparação interanual. O resultado reflete a maior dependência desse grupo da renda corrente e das condições do mercado de trabalho, cujo incremento tem impacto direto sobre a intenção de consumo, especialmente em segmentos de menor tíquete médio.

A percepção mais favorável quanto ao momento para a compra de bens duráveis também pode ser explicada por fatores sazonais, pois janeiro é tradicionalmente marcado por liquidações no varejo, o que contribui para elevar o otimismo dos consumidores em relação a esse tipo de aquisição (de maior valor agregado e dependente do crédito).

Entre as famílias com renda superior a dez salários mínimos, o índice permaneceu em patamar elevado (118,7 pontos). O avanço mensal foi mais moderado (1,7%), enquanto na comparação interanual houve recuo de 4,2%, sinalizando uma postura mais cautelosa desse grupo, geralmente mais sensível às condições financeiras, às incertezas fiscais e ao ambiente macroeconômico.

Embora o movimento indique melhoria pontual da confiança no curto prazo entre as famílias que ganham acima de dez salários mínimos, no comparativo interanual todos os componentes registraram desempenho negativo. Isso sugere que, apesar de mais capacidade financeira, essas famílias seguem mais cautelosas e tendem a adiar decisões de consumo de maior valor, sobretudo aquelas dependentes de crédito.

Crédito caro ainda afeta o consumo das famílias
O resultado do ICC reflete o alívio gradual das pressões inflacionárias ao longo de 2025, reduzindo a percepção de perda do poder de compra. A resiliência do mercado de trabalho e a manutenção da renda disponível também sustentam a confiança, mesmo em um período tradicionalmente pressionado por despesas obrigatórias, como impostos (IPVA e IPTU) e gastos escolares e com compras realizadas no fim do ano passado.

Entre as famílias com renda inferior a dez salários mínimos, a recuperação foi mais intensa. O indicador atingiu 125,3 pontos, com alta de 3,2% no mês e de 2,5% na comparação interanual, incentivado pelo avanço do Índice das Condições Econômicas Atuais (ICEA), que cresceu 5,9% na margem e 4,9% em relação ao ano anterior. Como o consumo desse grupo é mais atrelado ao fluxo imediato de renda, a melhoria do cenário se traduz de forma mais rápida na confiança.

Nas famílias com renda igual ou superior a dez salários mínimos, o ICC permaneceu em nível elevado (131,8 pontos) e avançou 4,6% na comparação interanual. No entanto, o ICEA recuou no mês (-1,7%) e no ano (-1,5%), refletindo o impacto do crédito mais caro e dos juros ainda restritivos, fatores que afetam decisões de maior valor [tabela 2].

[TABELA 2]
Índice de Confiança do Consumidor (ICC) — renda, gênero e idade
Fonte: FecomercioSP

No agregado, o ICEA alcançou 125,6 pontos, com alta mensal de 3,3%, indicando melhoria na avaliação da situação atual. O avanço foi disseminado entre a maioria dos grupos, com destaque para consumidores com 35 anos ou mais (3,8%) e mulheres (3,5%), embora estas permaneçam em nível inferior ao dos homens.

Já o Índice de Expectativas (IEC) atingiu 128,6 pontos, com crescimentos de 1,8% no mês e 3,5% no ano, consolidando-se como principal vetor de sustentação da confiança. A alta sugere perspectiva de continuidade da desaceleração inflacionária e de um ambiente econômico menos restritivo adiante.

A FecomercioSP indica que, para o varejo, o quadro é de maior dinamismo em segmentos de menor tíquete médio e bens essenciais, enquanto o consumo de duráveis segue condicionado à trajetória dos juros. 

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