Futuro da mobilidade é foco do 4º Encontro da Indústria de Autopeças -

Futuro da mobilidade é foco do 4º Encontro da Indústria de Autopeças

Evento aconteceu no Expo São Paulo, nesta segunda-feira, véspera da abertura da Automec

Lucas Torres

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Nesta segunda-feira, 24/04, o São Paulo Expo recebeu a 4ª edição do Encontro da Indústria de Autopeças – evento promovido pelo Sindipeças, que reuniu grandes executivos da indústria automotiva do Brasil e do mundo, além de líderes dos diferentes elos do aftermarket nacional.

Realizado na véspera da Automec, a ocasião lotou o principal auditório do Mezanino do pavilhão que, nesta semana, volta a receber a maior feira de autopeças da América Latina depois de um hiato de três anos.

O debate foi permeado por temas que mobilizam os players do setor na tentativa de identificar os pilares que vão ditar o futuro da mobilidade. Dentre eles, estiveram em destaque a busca por mais sustentabilidade, sobretudo no âmbito da descarbonização dos motores, e as formas de otimizar o abastecimento da cadeia mundial.

Responsável pelo primeiro painel do encontro, o Secretário Geral da Associação Europeia de Fornecedores Automotivos (CLEPA) – Benjamin Krieger, reforçou a crença do continente na eletrificação como principal caminho para uma mobilidade mais limpa, projetando uma redução de 55% na emissão de gases automotivos provenientes dessa guinada até o ano de 2030.

Apesar de ter o norte do modal prioritário e de um prazo de execução, o executivo ponderou, porém, as expectativas e afirmou que o universo automotivo europeu está aberto tanto para cogitar soluções que se mostrem mais eficientes e escaláveis do que o carro elétrico quanto para esticar o prazo desta transição.

“A pandemia e suas particularidades, nos faz pensar se teremos de recalibrar nossas metas – afinal, precisamos ter certeza de que vamos atingi-la, pagando um preço razoável em termos de impacto”, apontou Krieger – antes de abrir as portas para experimentações ao longo do caminho.

“Precisamos também manter nossas opções em aberto. A eletrificação ainda não se mostrou a solução perfeita, é importante que não sejamos peremptórios e ouçamos a todos, não apenas as nossas marcas”, complementou pontuando que a alta demanda por semicondutores gerada por uma possível massificação dos carros 100% elétricos, somada à atual dependência mundial da produção chinesa deste item é ainda uma barreira significativa para ratificar o modal como o ideal para o futuro da mobilidade.

Ainda sobre essa abertura para além da eletrificação, o porta-voz da CLEPA garantiu que tecnologias como o etanol e os biocombustíveis estão no radar em um pool de soluções que também inclui tecnologias como o hidrogênio e outras substâncias sintéticas.

“Eles precisam provar que podem competir no mercado e diminuir as emissões. Fazendo isso, não teremos restrições alguma”, concluiu Krieger.

Stellantis e Volkswagen ajustam estratégias ao caráter singular do mercado brasileiro

Embora tenham sede no continente Europeu, os braços brasileiros das montadoras Stellantis e Volkswagen – duas das maiores em operação no solo tupiniquim – mostraram que as particularidades locais estão no centro de suas estratégias para a região.

Representada por seu vice-presidente de compras e cadeia de suprimentos, Juliano Almeida, a primeira trasmitiu a mensagem de que os carros híbridos são sua principal aposta para a inovação automotiva no médio prazo.

“Nossa indústria, como um todo, não tem o investimento e a estrutura necessária para migrarmos para veículos totalmente elétricos (BEV) – isso sem contar que estes são muito mais caros, custando quase duas vezes o preço dos veículos a combustão. Por isso, acreditamos em uma transição mais suave e mais sustentável, ancorada nos híbridos usando etanol com alta eficiência”, compartilhou Almeida.

Para seguir evoluindo nessa direção e, quem sabe, chegar aos veículos de célula com base no etanol, a Stellantis tem, segundo seu executivo, reforçado laços com fornecedores e instituições governamentais, bem como com players da área da educação como universidades e institutos de pesquisa.

Na mesma linha, a alemã Volkswagen comunicou a sua abordagem regionalizada para atender as demandas sustentáveis dos consumidores e do próprio planeta.

Representada pelo Head de Assuntos Governamentais, Henrique Mendes Araújo, a montadora comunicou que não acredita em uma ‘bala de prata’. Ou seja, uma única tecnologia capaz de diminuir as emissões de maneira eficiente e escalável em todos os cantos do planeta.

“Os veículos à combustão e os híbridos ainda serão relevantes nos mercados globais. Acreditamos na multiplicidade de tecnologias e, por isso, nosso plano é conciliar o conhecimento da Matriz (Alemanha) com as oportunidades locais que identificamos. Isso, aqui no Brasil, significa falarmos dos biocombustíveis”, disse o executivo – deixando em aberto a criação de centros de desenvolvimento no Brasil voltados à maximizar o uso do etanol em diferentes aplicações.

Impacto das vendas online na reposição também foi assunto no evento do Sindipeças

As discussões em torno do futuro da indústria automotiva e do aftermarket realizadas no 4º Encontro da Indústria de Autopeças não se limitaram à temática da descarbonização e seu impacto na organização da cadeia mundial.

Os presentes no São Paulo Expo também tiveram a oportunidade de refletir sobre as mudanças que a digitalização da economia têm provocado na forma com que as autopeças são vendidas tanto no comércio entre empresas (B2B) quanto no âmbito da venda para o consumidor final (B2C).

Tais discussões foram centralizadas pela consultoria global McKinsey & Company, que ao trazer números como o fato de 10% das vendas B2C de autopeças no Brasil e nos Estados Unidos já serem realizadas no e-commerce, salientou o caráter imperativo de varejistas e distribuidores incluírem o e-commerce em suas estratégias de venda, adotando em definitivo o modelo omnichannel.

“Se vocês não venderem online, alguém irá vender seus produtos por lá (…) Para se ter uma ideia do crescimento desta prática, a Amazon – gigante do e-commerce norte-americano, tinha uma receita proveniente das autopeças na casa de 0.1 bilhão de dólares em 2006, número que, em 2020, saltou para 10 bilhões”, contextualizou Felipe Fava, porta-voz da consultoria no evento.

Para além das vendas no canal digital, o sócio da McKinsey & Company afirmou que o comportamento dos consumidores – se valendo da tecnologia para buscar mais conveniência – também se pulveriza em outras práticas.

“A manutenção mobile, ou seja – quando o cliente solicita a vinda do reparador ao seu local, possui uma aceitação de 60% dos clientes entre 25 e 44 anos. Além disso, atualizações over the air, que é quando melhorias e reparos são realizados de maneira remota, já chegam a gerar um acréscimo de US$ 300 anuais por veículo para as suas montadoras”, concluiu Fava.

Ao analisar esta nova realidade que já se apresenta no mercado, o presidente do Sindirepa Nacional – Antonio Fiola, demonstrou preocupação com a qualidade e a procedência de algumas das autopeças vendidas online.

Em meio às suas críticas, o dirigente citou um estudo da FIESP que identificou um índice significativo de peças falsificadas sendo comercializadas no Mercado Livre – marketplace com maior marketshare do setor, e reclamou da falta de fiscalização e diálogo da plataforma junto às empresas e órgãos do aftermarket.

Além disso, Fiola pontuou que o aquecimento das vendas online também é um tema sensível quando se fala sobre as especificidades técnicas das autopeças – o que, em sua opinião, torna itens menos complexos como pneus, acessórios e peças externas mais adequados à comercialização via e-commerce. 


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