IQA e entidades da reposição intensificam esforço do aftermarket por profissionalização

Gerente de serviços automotivos do instituto comenta o foco das certificações costuradas junto ao Sincopeças Brasil e ao Sindirepa

Lucas Torres [email protected]

Profissionalização. Com o avanço tecnológico e o crescimento da demanda dos consumidores em decorrência de um contato cada vez mais globalizado com algumas das principais empresas do planeta, essa palavra talvez nunca tenha sido tão essencial para as atividades em todos os elos do aftermarket automotivo. Sabedores disso, os líderes do setor têm se articulado para criar avenidas a partir das quais empresas e profissionais possam se qualificar e atualizar para responder às demandas da atualidade.

Entre os exemplos deste movimento está a aproximação do Instituto da Qualidade Automotiva (IQA) com importantes entidades representativas da reposição de automóveis como o Sincopeças Brasil e o Sindirepa. Nos últimos meses, os respectivos sindicatos do varejo de autopeças e da reparação automotiva estão costurando acordos com o IQA para não apenas qualificar balconistas e reparadores, mas também para criar certificações oficiais que sirvam como uma espécie de ‘atestado de qualidade’ para os profissionais que participarem destas capacitações. Em entrevista exclusiva ao Novo Varejo, o gerente de serviços automotivos do IQA, Sérgio Fabiano, comentou a importância desta ênfase em torno da profissionalização, bem como traçou um paralelo entre o atual momento do aftermarket com o cenário encontrado pelo instituto à época de sua fundação, há 27 anos.

Novo Varejo – Na última edição do Novo Varejo, entrevistamos o Sergio Alvarenga, liderança que foi chave no alinhamento da norma ABNT para os vendedores de autopeças junto ao Sincopeças Brasil. Na ocasião, ele destacou um alinhamento entre Sincopeças e IQA para assinatura de um contrato que visa a criar a certificação para os profissionais de venda do aftermarket. Em que estágio estão as negociações?

Sérgio Fabiano – Em planejamento e discussões com o setor, para lançamento em futuro próximo.

NV – Qual a importância de criar uma certificação oficial como forma de padronização das qualificações de profissionais envolvidos com o aftermarket automotivo?

SF – A certificação traz qualidade e reconhecimento aos profissionais e traz confiança para as empresas no momento de contratações e ao consumidor final traz segurança. O reconhecimento realizado por um organismo independente e imparcial garante a qualidade e confiança do processo de certificação.

NV – Vocês também têm um acordo em andamento com o Sindirepa de natureza parecida, não?

SF – Sim, possuímos também um convênio com o Sindirepa Brasil com foco na certificação.

NV – Existe uma demanda da indústria de autopeças por padronização da qualificação dos profissionais da reposição, a fim de minimizar erros de venda e de aplicação e os prejuízos gerados por problemas desta natureza? Como o IQA se articula junto a estas empresas?

SF – Este ponto é uma necessidade do mercado, pois com a evolução do processo de venda e novas necessidades de atendimento ao cliente como a venda “online” se faz necessário melhorar os processos e o treinamento dos profissionais do setor. Diante dessa necessidade do mercado, o IQA, por conhecimento do setor e por possuir uma certificação voltada ao reparador, adiantou-se em poder desenvolver este novo escopo de certificação com base na nova Norma ABNT e requisitos adicionais, para poder avaliar a competência do profissional vendedor de autopeças e assim cumprir a sua função de atender as demandas do setor nos dias atuais.

NV – Como você vê o atual estágio dos profissionais do varejo de autopeças? Você acredita que eles estão prontos para trabalhar como ‘consultores’ com conhecimento técnico tanto das autopeças quanto de vendas, tal como sugere a nova norma ABNT?

SF – Vemos este setor com ótima perspectiva, visto que eles vêm investindo no desenvolvimento e treinamento há algum tempo para atender as novas demandas de mercado. Entendemos que o setor está pronto a atender as necessidades da nova norma, mesmo porque ela foi desenvolvida por representantes do mercado envolvido. O que necessitamos neste momento é alinhar os trabalhos em andamento com a real necessidade do mercado, ou seja, focar na necessidade do cliente que é um processo ágil e seguro, diminuindo perdas e retrabalhos.

NV – De que maneira você tem visto o engajamento dos empresários do varejo e da reparação na busca por qualificar seus funcionários? Em geral, eles estão cientes desta importância?

SF – Em geral os empresários do setor buscam e incentivam os colaboradores a participar de treinamentos. A qualificação dos profissionais é um investimento que irá trazer melhores resultados ao negócio e ao cliente.

NV – Como o IQA trabalha para disseminar a importância da pauta da qualidade junto aos diversos elos que compõem o aftermarket automotivo?

SF – A pauta da qualidade é um ponto de suma importância para o aftermarket e que o IQA trabalha incansavelmente há 27 anos desde a sua fundação. Dia a dia atendendo empresas e profissionais, além da divulgação de nossas atividades e soluções disponíveis ao setor automotivo.

NV – O IQA fez 27 anos em 2022. Como vocês enxergam os passos dados pelo aftermarket rumo à maior profissionalização ao longo destas quase três décadas de trabalho?

SF – Durante este longo período vimos uma evolução substancial no setor, inicialmente com a evolução dos veículos, posteriormente com os equipamentos e a capacitação dos profissionais, mais recentemente a evolução da tecnologia agregada aos veículos e serviços. Sendo que para atingir os critérios de alta qualidade é necessário conhecer e evoluir os processos, para isto, vemos necessário que os processos sejam controlados e auditados.

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