Varejo automotivo segue em alta no ano, diz IBGE -

Varejo automotivo segue em alta no ano, diz IBGE

Dados divulgados pelo IBGE nesta segunda-feira, 16 de maio, mostram que o varejo automotivo – segundo os Indicadores do volume de vendas e comércio varejista ampliado – acumula alta de 17,8% em 2018. O grupo reúne veículos e motos, partes e peças.

Em maio de 2018, o volume de vendas do comércio varejista nacional variou -0,6% frente a abril, na série com ajuste sazonal, praticamente descontando o avanço de 0,7% registrado no mês anterior. Com isso, a média móvel trimestral ficou em 0,4% e perde ritmo em relação ao resultado do trimestre encerrado em abril (0,6%). Na série sem ajuste sazonal, o comércio varejista cresceu 2,7% em relação a maio de 2017. Foi a 14ª taxa positiva seguida. Com isso, o varejo acumulou alta de 3,2% no ano. O acumulado nos últimos 12 meses cresceu 3,7%, mantendo-se estável em relação a abril (3,7%) e prosseguindo em trajetória ascendente iniciada em outubro de 2016 (-6,8%).

No comércio varejista ampliado, que inclui as atividades de veículos, motos, partes e peças e de material de construção, o volume de vendas caiu 4,9% em relação a abril e a média móvel trimestral ficou em -0,6% no trimestre encerrado em maio. Frente a maio de 2017, houve alta de 2,2%, 13ª taxa positiva consecutiva, sendo essa a menos acentuada do período, refletindo os efeitos da paralisação dos transportes e seus desdobramentos na economia. O acumulado nos últimos doze meses (6,8%) mostrou perda de ritmo, interrompendo a trajetória ascendente iniciada em julho de 2016 (-10,04%).

 

Queda atinge seis das oito atividades pesquisadas

A variação de -0,6% no volume de vendas do comércio varejista na passagem de abril para maio de 2018, na série ajustada sazonalmente, alcançou seis das oito atividades investigadas. Os recuos mais intensos foram observados em Livros, jornais, revistas e papelarias (-6,7%), Combustíveis e lubrificantes (-6,1%), Equipamentos e materiais para escritório, informática e comunicação (-4,2%), Tecidos, vestuário e calçados(-3,2%), Móveis e eletrodomésticos (-2,7%), Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos (-2,4%). Por outro lado, a única atividade que mostrou avanço na passagem de abril para maio foi Hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (0,6%), enquanto em Outros artigos de uso pessoal e doméstico (0,0%), as vendas ficaram estáveis.

Considerando o comércio varejista ampliado, o recuo de 4,9%, interrompeu sequência de quatro meses seguidos de crescimento, com Veículos e motos, partes e peças recuando 14,6%, enquanto Material de construção caiu 4,3%, como reflexo da greve dos caminhoneiros.

Em relação a maio de 2017, o volume do comércio varejista subiu 2,7%, 14ª taxa positiva seguida, refletindo os efeitos da paralisação dos caminhoneiros no abastecimento do comércio nas diversas atividades. Setorialmente, a taxa positiva de maio foi sustentada por apenas três das oito atividades que compõem o varejo, com destaque para Hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (8,0%), Outros artigos de uso pessoal e doméstico (6,9%) e Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos (4,5%). Por outro lado, ainda que positivo, o resultado de maio teve predomínio de taxas negativas entre as atividades, com cinco das oito pressionando negativamente a formação da taxa global: Combustíveis e lubrificantes (-7,9%), Móveis e eletrodomésticos (-6,1%), Tecidos, vestuário e calçados(-3,6%) e, em menor impacto, Livros, jornais, revistas e papelaria (-14,0%) e Equipamentos e material para escritório, informática e comunicação (-7,9%).

BRASIL – INDICADORES DO VOLUME DE VENDAS DO COMÉRCIO VAREJISTA E COMÉRCIO VAREJISTA AMPLIADO, SEGUNDO GRUPOS DE ATIVIDADES: Maio 2018
ATIVIDADESMÊS/MÊS ANTERIOR (1)MÊS/IGUAL MÊS DO ANO ANTERIORACUMULADO
Taxa de Variação (%)Taxa de Variação (%)Taxa de Variação (%)
MARABRMAIMARABRMAINO ANO12 MESES
COMÉRCIO VAREJISTA (2)1,00,7-0,68,00,62,73,23,7
1 – Combustíveis e lubrificantes1,43,7-6,1-4,9-1,0-7,9-4,9-3,5
2 – Hiper, supermercados, prods. alimentícios, bebidas e fumo0,21,00,615,40,18,05,64,2
2.1 – Super e hipermercados-0,12,00,616,6-0,38,55,94,7
3 – Tecidos, vest. e calçados0,7-0,7-3,2-0,7-8,2-3,6-3,53,9
4 – Móveis e eletrodomésticos0,00,4-2,7-3,25,5-6,10,77,8
4.1 – Móveis-6,20,0-10,6-3,23,1
4.2 – Eletrodomésticos-0,98,8-3,33,910,1
5 – Artigos farmaceuticos, med., ortop. e de perfumaria1,21,9-2,45,010,24,55,95,6
6 – Livros, jornais, rev. e papelaria-1,01,2-6,7-12,7-3,7-14,0-8,5-6,1
7 – Equip. e mat. para escritório, informatica e comunicação-4,14,0-4,2-6,73,7-7,9-0,4-1,7
8 – Outros arts. de uso pessoal e doméstico0,60,00,013,9-0,16,97,85,9
COMÉRCIO VAREJISTA AMPLIADO (3)1,81,5-4,98,88,52,26,36,8
9 – Veículos e motos, partes e peças4,81,2-14,616,036,32,217,812,6
10- Material de construção-0,10,8-4,3-1,515,6-1,94,89,3
Fonte: IBGE, Diretoria de Pesquisas, Coordenação de Serviços e Comércio.

(1) Séries com ajuste sazonal.

(2) O indicador do comércio varejista é composto pelos resultados das atividades numeradas de 1 a 8.
(3) O indicador do comércio varejista ampliado é composto pelos resultados das atividades numeradas de 1 a 10.

 

O setor de Hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo, com expansão de 8,0% no volume de vendas frente a maio de 2017, foi a atividade que exerceu o maior impacto positivo no desempenho global tanto no varejo, quanto no varejo ampliado. Esse segmento foi o menos afetado pela paralisação de maio, fato, em grande parte, justificado pela comercialização de itens de necessidade básica. A manutenção da massa de rendimentos reais habitualmente recebida e a redução sistemática da inflação de alimentação no domicílio são fatores que vêm sustentando o desempenho positivo do setor. Com o resultado de maio, o setor acumula 5,6% de janeiro a maio de 2018, acumulado em 12 meses avanço de 4,2%, mantendo-se assim em trajetória ascendente desde março de 2017 (-3,0%).

O grupamento de Outros artigos de uso pessoal e doméstico, que engloba lojas de departamentos, joalheria, artigos esportivos e brinquedos, avançou 6,9% frente a maio de 2017, exercendo a segunda maior influência positiva sobre a taxa global. O setor foi influenciado, em parte, pela comemoração do Dia das Mães, com impactos positivos nessa atividade, à despeito da crise de abastecimento ocorrida em maio. Com isso, o segmento acumulou 7,8% nos primeiros cinco meses do ano.  O indicador acumulado nos últimos 12 meses, com taxa de 5,9%, mantém trajetória de recuperação iniciada em setembro de 2016 (-10,4%).

O segmento de Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos mostrou expansão de 4,5% em relação a maio de 2017. Com caráter de uso essencial, o setor farmacêutico registrou, em maio de 2018, a 13ª taxa positiva consecutiva e exerceu o terceiro maior impacto positivo na taxa geral do varejo. Com isso, o segmento acumulou 5,9% de aumento no ano de 2018. Quanto ao indicador acumulado nos últimos 12 meses, o resultado de 5,6% mantém o setor em trajetória ascendente desde abril de 2017 (-3,5%).

A atividade de Combustíveis e lubrificantes, com 7,9% de queda no volume de vendas em relação ao mesmo mês do ano anterior, mostrou a 11ª queda consecutiva e exerceu a maior pressão negativa no resultado total do varejo, acentuando o ritmo de queda em relação ao resultado de abril (-1,0%). Esse setor foi, naturalmente, o setor mais atingido pela greve dos caminhoneiros. A elevação dos preços de combustíveis, bem acima da variação média de preços, é fator relevante que também influenciou o desempenho do setor. Com isso, o segmento acumulou recuo de 4,9% nos primeiros cinco meses do ano. O indicador acumulado nos últimos 12 meses, ao passar de -2,9% em abril para -3,5% em maio, aumentou o ritmo de queda e interrompeu a trajetória ascendente iniciada em fevereiro de 2017 (-8,9%).

O setor de Móveis e eletrodomésticos registrou recuo de 6,1%, frente a maio do ano passado, exercendo assim a segunda maior influência negativa sobre a taxa global do varejo. Esse resultado foi impactado pela crise de abastecimento do comércio, decorrente da greve dos caminhoneiros, ocasionando atrasos na entrega e irregularidades no preço do frete. Ainda assim, o segmento registrou avanço de 0,7% no indicador acumulado no ano. O acumulado nos últimos 12 meses ficou em 7,8% e registrou perda significativa de ritmo em relação a taxa de abril (9,6%).

A atividade de Tecidos, vestuário e calçados, com variação de -3,6% em relação a maio de 2017, registrou a quarta taxa negativa consecutiva, acumulando, assim, uma perda de 3,5% nos primeiros cinco meses do ano. O indicador acumulado nos últimos 12 meses, com variação de 3,9%, também registra perda de ritmo em relação a abril (4,7%).

O desempenho da atividade de Livros, jornais, revistas e papelaria apresentou recuo de 14,0% no volume de vendas, frente a maio de 2017, resultado também influenciado pela crise de abastecimento que atingiu de forma generalizada o comércio. No acumulado no ano a taxa ficou em -8,5%. O acumulado nos últimos 12 meses permaneceu no campo negativo -6,1%, intensificando, assim, a trajetória descendente iniciada em fevereiro de 2018 (-3,6%).

A atividade de Equipamentos e materiais para escritório, informática e comunicação, com recuo de 7,9% no volume de vendas em comparação com igual mês do ano anterior, registrou perda de ritmo em relação a abril (3,7%). Com isso, a variação acumulada no ano foi de -0,4%. A taxa acumulada nos últimos 12 meses (-1,7%) voltou a mostrar resultado negativo, após estabilidade em abril (0,0%) e março (0,1%).

O comércio varejista ampliado registrou para o volume de vendas, um avanço de 2,2% contra maio de 2017, 13ª taxa seguida, sendo essa a de menor magnitude. Esse comportamento foi impactado, principalmente, pela perda de ritmo observada nas vendas de Veículos, motos, partes e peças, em consequência da paralisação ocorrida em maio de 2018. Assim, o varejo ampliado acumula de janeiro a maio 6,3% de aumento no volume de vendas, enquanto o indicador acumulado nos últimos 12 meses (6,8%), perde ritmo em relação ao resultado de abril (7,0%).

O setor de Veículos, motos, partes e peças mostrou expansão de 2,2% no volume de vendas frente a maio de 2017, 13ª taxa positiva, e a menos acentuada desde janeiro de 2014 (1,6%). Esse resultado foi influenciado, pela dificuldade no abastecimento de veículos, já prontos para entrega, devido à greve dos caminhoneiros, que durou oito dias úteis. Ainda assim, o indicador acumulado no ano (17,8%) mostrou o único avanço com taxa de dois dígitos entre as atividades do varejo ampliado. Com isso, o indicador acumulado nos últimos 12 meses, com variação positiva de 12,6%, registrou o resultado menos acentuado do que o acumulado até abril (12,9%), interrompendo a trajetória ascendente observada desde fevereiro de 2017.

O segmento de Material de construção, com taxa de -1,9%, na comparação com igual mês do ano anterior, registrou perda de ritmo expressiva em relação a abril (15,6%), resultado que foi impactado também pela greve dos caminhoneiros. Ainda assim, o indicador acumulado no ano mostrou avanço de 4,8%. No entanto, o indicador acumulado em 12 meses, com aumento de 9,3%, mostrou perda ritmo na comparação com o resultado de abril (10,3%).

Resultados regionais: recuos em 15 estados em maio

Na passagem de abril para maio de 2018, na série com ajuste sazonal, as vendas no comércio varejista recuam em 15 das 27 Unidades da Federação, com destaque, em termos de magnitude de taxa, para Santa Catarina e Rondônia (ambos com -4,2%), enquanto Amazonas (6,0%) e Roraima (3,2%) registraram os maiores aumentos nas vendas nessa comparação. Goiás mostrou estabilidade (0,0%). Para essa mesma comparação, o comércio varejista ampliado, recuou em 24 das 27 Unidades da federação, com destaque para Santa Catarina (-7,7%) e Espírito Santo (-7,3%) sinalizando as maiores perdas. Por outro lado, entre os estados que mostraram os maiores avanços entre abril e maio figuram: Roraima (1,3%), Acre (1,2%) e Amazonas (1,0%).

Frente a maio de 2017, o comércio varejista registrou aumento no volume de vendas em 20 das 27 Unidades da Federação, com destaque positivo, em termos de magnitude, para Roraima (11,0%), Amazonas (9,3%) e Rio Grande do Norte (9,0%). Por outro lado, Distrito Federal (-2,5%) e Mato Grosso (-2,1%) figuram com as taxas negativas mais elevadas dentre todas as Unidades da Federação. Quanto à participação na composição da taxa positiva do varejo, destacaram-se: São Paulo (3,0%), Rio Grande do Sul (6,4%) e Santa Catarina (6,1%).

Considerando o comércio varejista ampliado, 19 das 27 Unidades da Federação apresentaram variações positivas no volume de vendas na comparação frente ao mesmo mês do ano anterior, com destaque para Roraima (14,1%), Amazonas (12,1%) e Acre (8,7%), enquanto Distrito Federal (-8,6%) assinalou a maior queda entre as Unidades da Federação. Quanto à participação na composição da taxa positiva do varejo ampliado, destacaram-se, pela ordem: São Paulo (3,7%), Santa Catarina (6,1%) e Rio Grande do Sul (3,6%).


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