Varejo brasileiro registra em junho o pior desempenho de vendas desde a pandemia, aponta ICVA -

Varejo brasileiro registra em junho o pior desempenho de vendas desde a pandemia, aponta ICVA

Índice aponta retração real de 2,8% no mês, puxada pela compressão do orçamento das famílias frente à alta de itens recorrentes. Primeiro semestre consolida o ritmo mais fraco para o setor desde 2020

O varejo brasileiro registrou em junho o pior desempenho para o mês desde o período da pandemia de covid-19 em 2020. Segundo dados oficiais do Índice Cielo do Varejo Ampliado (ICVA), divulgados nesta segunda-feira, 13, as vendas sofreram uma retração real de 2,8% na comparação com o mesmo mês do ano anterior. O resultado marca o segundo mês consecutivo de contração expressiva do setor e consolida um primeiro semestre desafiador para a atividade comercial no país.

Inflação corrói o orçamento doméstico

O recuo de junho sucede a retração real de 3,4% apurada em maio, evidenciando uma perda de tração sistemática no poder de compra da população. No acumulado dos primeiros seis meses do ano, o varejo registra queda real de 2,2% — um dado significativamente inferior ao patamar do primeiro semestre do ano passado, quando a variação negativa havia sido de apenas 0,7%.

Os indicadores de preço confirmam a pressão sobre o consumidor. O IPCA-15 avançou 0,41% em junho e acumula uma alta substancial de 4,80% na janela dos últimos 12 meses. O avanço foi impulsionado primordialmente pelo encarecimento estrutural dos grupos de alimentação, bebidas e habitação (que engloba custos com aluguel e energia).

Desempenho por setores e assimetria regional

O impacto da retração não se distribuiu de forma homogênea, revelando profundas assimetrias geográficas e setoriais em todo o território nacional:

  • Pior resultado regional: A Região Sudeste liderou as perdas com queda real de 4,5%, seguida pelo Centro-Oeste (-2,6%), Nordeste (-1,4%), Sul (-1,0%) e Norte (-0,3%).
  • Extremos estaduais: São Paulo registrou o tombo mais severo, encolhendo 6,1%, acompanhado por Amazonas (-4,1%) e Pernambuco (-3,9%). Na contramão, o Acre liderou os ganhos com alta de 3,7%, seguido por Rondônia (+2,7%) e Minas Gerais (+1,4%).
  • Segmentos econômicos: O macrossetor de Serviços registrou o colapso mais agudo do ICVA, despencando 9,1% em termos reais. Bens duráveis e semiduráveis (vestuário, eletrodomésticos) recuaram 3,4%, enquanto bens não duráveis (supermercados) operaram perto da estabilidade (-0,1%).
  • Físico vs. Digital: O comércio eletrônico (e-commerce) manteve-se resiliente e cresceu 9,2% em termos nominais, superando amplamente o frágil avanço de 1,0% registrado pelas lojas físicas.
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