Boletim da pesquisa ACVarejo, da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), divulgado em novembro confirma a tese de que a crise e a queda da renda estão levando o consumidor a investir mais na manutenção de seu veículo ao invés de comprar um novo. Em consequência, o varejo de autopeças e acessórios foi o único a apresentar crescimento no volume de vendas nos primeiros oito meses de 2016. A alta foi de 3% sobre igual período do ano passado. O segmento também se destacou no mês de agosto, com a menor perda (-1%) em relação ao mesmo mês de 2015. Os segmentos de varejo mais dependentes de crédito – mais caro e escasso em 2016 – tiveram as retrações mais acentuadas. O pior resultado ocorreu nas lojas de móveis e decorações, com recuos de 15,6% (no acumulado janeiro-agosto) e de 19,3% (no mês de agosto), em relação aos mesmos períodos de 2015. “Os resultados negativos continuam sendo explicados pelo maior desemprego, pela contração do crédito e pela queda na renda das famílias, o que puxa para baixo a confiança do consumidor e a disposição para comprar”, diz Alencar Burti, presidente da ACSP. “A recuperação dependerá essencialmente da restauração desses indicadores e da continuidade da redução das taxas de juros”, acrescenta ele. A pesquisa ACVarejo é elaborada pelo Instituto de Economia da ACSP a partir de dados da Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo e de índices de inflação setoriais extraídos da Pesquisa Mensal do Comércio (PMC), realizada mensalmente pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
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