O desempenho indica continuidade de um cenário desafiador para o consumo, mesmo diante de um mercado de trabalho ainda aquecido. Segundo Guilherme Freitas, economista e pesquisador da Stone, fatores como juros reais elevados, crédito mais caro e alto comprometimento da renda das famílias com dívidas seguem limitando a capacidade de compra.
“O varejo começou 2026 em um patamar inferior ao observado no ano passado, que já havia sido desafiador. Mesmo com avanço da renda e desemprego em níveis baixos, o ambiente financeiro restritivo continua pressionando o consumo”, afirma.
Números por segmento
No recorte mensal, todos os oito segmentos analisados registraram retração em fevereiro. A maior queda ocorreu em livros, jornais, revistas e papelaria, com recuo de 17,9%. Na sequência aparecem combustíveis e lubrificantes (6,5%), tecidos, vestuário e calçados (5,3%) e outros artigos de uso pessoal e doméstico (3,3%).
Também apresentaram queda móveis e eletrodomésticos (3,2%), material de construção (2,8%), hipermercados e supermercados (2,3%) e artigos farmacêuticos (1,6%).
Já na comparação anual, apenas dois segmentos cresceram, ambos ligados a bens essenciais. Hipermercados, supermercados, alimentos, bebidas e fumo avançaram 2,5%, enquanto artigos farmacêuticos registraram alta de 1,7%.
Entre os demais setores, o maior recuo foi observado em tecidos, vestuário e calçados, com queda de 11,3%, seguido por móveis e eletrodomésticos (8,1%) e outros artigos de uso pessoal e doméstico (5,2%).
Desempenho regional
Os dados regionais mostram um cenário heterogêneo. Na comparação anual, sete estados registraram crescimento, com destaque para o Acre, que avançou 10,8%. Também apresentaram alta Roraima (4,7%), Amapá (4,1%) e Pará (2,4%), além de Sergipe e Santa Catarina (0,8%) e Pernambuco (0,1%).
Por outro lado, a maioria dos estados apresentou retração. As maiores quedas foram observadas no Amazonas (7,1%), Espírito Santo (7%), Distrito Federal (6,3%) e Rio Grande do Sul (6%). São Paulo, principal mercado consumidor do país, teve recuo de 2%.
Segundo Freitas, os resultados evidenciam que a desaceleração do consumo ainda predomina, apesar de avanços pontuais em algumas regiões. “Estados do Norte apresentaram melhor desempenho, enquanto Sudeste e Sul concentraram retrações mais intensas, o que reforça o impacto do crédito restritivo e do endividamento das famílias sobre o consumo”, afirma.










