As vendas do varejo restrito (que não incluem veículos, material de construção e atacarejo) surpreenderam os especialistas e registraram alta de 0,5% em março, de acordo com o IBGE. A pesquisa, que é realizada tendo como referência a evolução mensal (sem considerar os efeitos sazonais), veio bem acima das expectativas do mercado. Na comparação com março de 2025, as vendas aumentaram 4,0%. O acumulado dos últimos 12 meses cresceu 1,8%, ante os 1,4% da leitura anterior, e os mesmos 1,4% da projeção do Instituto de Economia Gastão Vidigal (IEGV/ACSP).
As vendas do varejo ampliado (que inclui todos os segmentos) também apresentaram resultado melhor do que o esperado em termos mensais, com crescimento de 0,3% após ajuste sazonal. Em relação a março de 2025, houve expansão de 6,5%. No acumulado de 12 meses, a alta foi de 0,2%, revertendo a queda de 0,4% registrada em fevereiro.
De acordo com o economista do IEGV, Ulisses Ruiz de Gamboa, existem alguns fatores que, em princípio, não apontariam para esses resultados: “Os juros elevados e o alto endividamento das famílias não foram suficientes para impedir os números positivos do varejo em março”.
Para o economista, os resultados podem ser explicados por uma série de fatores: o crescimento da renda via transferências governamentais, o aumento do emprego e a expansão do crédito foram determinantes. “Também é preciso considerar o efeito calendário pelo fato de o Carnaval em 2025 ter ocorrido em março, reduzindo as vendas do varejo naquele período”, aponta.
Números positivos
Se comparadas com as de 2025, as oito atividades do varejo restrito apresentaram crescimento do volume comercializado: equipamentos e material de escritório, informática e comunicação (22,5%); outros artigos de uso pessoal e doméstico (11,1%); livros, jornais, revistas e papelaria (10,2%); combustíveis e lubrificantes (7,6%); artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria (7,1%); móveis e eletrodomésticos (6,8%); tecidos, vestuário e calçados (2,9%) e hipermercados e supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (0,9%).
O varejo ampliado também apresentou crescimento generalizado e, em geral, expressivo: veículos e motos, partes e peças (12,6%); atacarejo (8,7%) e material de construção (8,1%). Portanto, o varejo em março surpreendeu positivamente em todos os segmentos.
Para Ruiz de Gamboa, a questão que surge inevitavelmente é se está ocorrendo uma retomada do varejo ou se trata de um crescimento pontual. O economista acredita que, nos próximos meses, os números não devem ser tão positivos: “Não se pode chegar a uma conclusão a partir de uma única observação, mas acredito que os juros altos e o alto grau de endividamento das famílias, além da redução da confiança do consumidor, são determinantes e se sobreporiam aos aumentos da renda e do emprego”, conclui.
Nesse contexto, a economista projeta uma desaceleração nas vendas do varejo restrito, de forma gradual, nos próximos meses, mostrando maior volatilidade nos segmentos mais ligados ao crédito.











