| O Brasil emplacou 107.804 veículos leves na primeira quinzena de junho de 2026, praticamente estável frente à 1ª quinzena de maio (108.562; -0,7%) e em alta de +11,0% sobre a mesma quinzena de junho de 2025 (97.099). No acumulado de 2026, o setor soma 1,21 milhão de licenciamentos, +17,9% acima de 2025 (1,02 milhão).O crescimento das projeções de mercado em 2026 é explicado por alguns fatos muito positivos: 1) aumento do índice de confiança do consumidor (ICC), indicador de curto prazo para a demanda de veículos; 2) clientes de seminovos buscando veículos eletrificados novos para capitalizar os ótimos preços e grandes períodos de garantia; 3) antecipação de compras por locadoras e órgãos governamentais; 4) clientes de veículos premium buscando veículos chineses de alto conteúdo; e 5) programa MOVE BRASIL APLICATIVOS voltados a taxistas e operadores de mobilidade, este último com resultados ainda a acontecer. Dias úteis e média diária Foram 10 dias úteis em cada uma das três quinzenas comparadas (jun/26, mai/26 e jun/25), o que torna a comparação direta — sem distorção de calendário. A média diária ficou em 10.780 unidades, abaixo de maio (~10.856; -0,7%) e bem acima de junho de 2025 (~9.710; +11,0%). No acumulado, o ano tem 112 dias úteis (vs. 113 em 2025); mesmo ajustando por dia útil, o avanço de 2026 se mantém (~+18,9%), confirmando que o crescimento anual é real. Canais: o varejo puxa a recuperação A venda direta perdeu peso na quinzena, com 45,7% de participação (mai/26: -2,9pp; jun/25: -11,2pp). É uma inversão relevante frente ao padrão recente, em que o canal direto chegou a representar mais da metade do mercado. Em volume: |
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| No acumulado, a venda direta representa 48,5% do mercado (2025: 50,3%). O avanço nos emplacamentos têm uma forte presença da venda showroom, o que significa uma venda mais robusta e rentável. Montadoras: VW avança sobre a Fiat e BYD consolida a 4ª posição A Fiat manteve a liderança, mas com a maior perda de participação da quinzena (-1,8 p.p.). A VW foi o destaque de ganho (+1,1 p.p). Top 15 montadoras |
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| VW ganha onde a Fiat cede, e o bloco chinês (Geely, Jaecoo, Chery, GAC) sobe de forma disseminada. A queda de Hyundai e GM, somada ao recuo da Fiat, indica que as marcas tradicionais estão, no agregado, perdendo espaço para entrantes — um movimento estrutural, não pontual. Top 15 modelos: Strada isolada na ponta; dois BYD elétricos no ranking |
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| A Strada segue isolada na liderança, combinando uso misto (trabalho/pessoal) e forte presença em frota. O ranking permanece dominado por hatches compactos e SUVs de entrada, mas a presença de dois modelos elétricos da BYD (Dolphin Mini e Dolphin) entre os 15 mais vendidos confirma que a eletrificação deixou de ser nicho e disputa volume no miolo do mercado. Geografia: São Paulo assume a ponta, com Minas logo atrás Devido ao menor peso de compras por locadoras, São Paulo lidera a quinzena (25.287; ~23,5% do total nacional), com Minas Gerais bem próximo (22.732; ~21,1%). Em seguida vêm Paraná (10.238), Rio Grande do Sul (5.045) e Rio de Janeiro (4.871). Os cinco estados concentram cerca de 63% do mercado, reforçando que a expansão de volume segue bastante dependente de poucos polos. |
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| Mix: avanço dos SUVs se intensifica e pressiona acessibilidade |
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| A leitura realista é de migração estrutural — e não cíclica — para produtos mais altos e caros. O ganho de SUVs em detrimento de sedãs e crossovers eleva o tíquete médio e, na prática, pressiona a capacidade de compra do varejo justamente no momento em que é o varejo que sustenta o crescimento. Já o segmento de hatches é suportado pela legislação de CARRO SUSTENTÁVEL e mantém sua participação. Eletrificados: principal vetor de crescimento, agora acima de 1/5 do mercado Os eletrificados somaram 22.779 unidades na quinzena (mai/26: 20.894; jun/25: 9.026), com alta de +9,0% sobre maio e surpreendentes +152,4% sobre junho de 2025. O share atingiu 21,1% do mercado (mai/26: ~19,2%; jun/25: ~9,3%) — diferentemente de outras leituras recentes, aqui a categoria avançou em volume e em participação. No acumulado, são 210,8 mil eletrificados em 2026 (+111,7% a/a), com share de ~17,5% do total de leves (2025: ~9,7%). Distribuição por powertrain — 1ª quinzena de junho |
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| Líderes por tecnologia |
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| O eletrificado é, sem dúvida, o motor estrutural do crescimento — mas com uma ressalva realista importante: a categoria é fortemente concentrada na BYD, que domina BEV (61,7%) e PHEV (54,1%). Essa dependência de poucos players e de produto será progressivamente desafiada assim que novos fabricantes chineses consolidarem suas ações de fabricação, porém mantendo a BYD em uma posição de destaque na participação.Marcas chinesas: já superam um quinto do mercadoAs marcas chinesas responderam por 20,3% das vendas na 1ª quinzena de junho, acima dos 18,4% de maio. Com a BYD ocupando a 4ª posição geral entre montadoras e nomes como Geely, Chery, GWM e Jaecoo ganhando participação, o avanço chinês deixou de ser tendência marginal: hoje uma em cada cinco unidades emplacadas vem desse grupo. É o movimento competitivo mais relevante do mercado brasileiro no momento. Síntese — leitura realista O acumulado de 2026 cresce com firmeza (+17,9%), com estabilização em um novo patamar de 2,86 milhões de unidades em 2026. Nesta primeira quinzena de junho, a recuperação está apoiada no varejo e nos eletrificados/marcas chinesas, enquanto a venda direta recua. Ao mesmo tempo, a migração para SUVs mais caros e a forte concentração — geográfica, por canal e por fabricante (BYD nos elétricos) — adicionam algumas fragilidades.O viés para os próximos meses é de estabilidade, com riscos assimétricos para baixo: a sustentação do varejo depende de crédito e renda, e o vetor eletrificado depende de poucos players e de condições de importação/incentivo. |



















