Adequações aos novos tempos desafiam distribuidores e varejistas -

Adequações aos novos tempos desafiam distribuidores e varejistas

Os desafios de adequação aos novos tempos são muitos e extrapolam questões meramente tecnológicas. Empresas precisam levar em conta também transformações culturais e quebras de paradigmas.

Claudio Milan

claudio@novomeio.com.br

A digitalização de processos estará cada vez mais presente também na gestão das empresas. Mas os desafios de adequação aos novos tempos são muitos e extrapolam questões meramente tecnológicas. Precisam levar em conta também transformações culturais e quebras de paradigmas.

Na visão de Delfim Calixto, vice-presidente de aftermarket da Bosch, os distribuidores terão de repensar seu papel na cadeia. “Precisam ser provedores de solução para o mercado e não apenas compradores e vendedores. Caso contrário, irão sumir nesse turbilhão. Felizmente, estamos vendo muitos distribuidores fazendo essa leitura do cenário, identificando a necessidade de mudança, abraçando o mundo digital e ampliando sua proposta de valor. Essa discussão é extremamente importante e a Bosch tem proporcionado isso”.

Gerson Prado levantou uma questão importante diante da crescente participação das frotas na venda de carros novos: como o distribuidor poderá se diferenciar no atendimento ao frotista sabendo que o foco dessas empresas é comprar mais barato em função do volume? Segundo Roberto Fantoni, sócio sênior da Mckinsey, existem formas de agregar valor para esse perfil de cliente, especialmente no que se refere a serviços. “Por exemplo, com capacitação técnica, os distribuidores têm esse papel de passar conteúdo sobre a aplicação. Eventualmente, até disponibilizar tecnologia – muitos dos frotistas não têm interesse em fazer esse trabalho, muitas vezes o frotista olha para o fornecedor como sendo alguém que fará um papel muito maior do que entregar a peça”.

Pelo lado do varejo, Francisco De La Tôrre, presidente licenciado do Sincopeças-SP, entende a adequação já vem ocorrendo desde a década de 1980. “Com a revolução da tecnologia da informação, as lojas passaram a ter como ordem do dia o processo de informatização. Desde então, as empresas têm informatizando seus processos e a digitalização começou a partir da década de 2010, quando o WhatsApp passou a ser uma ferramenta importante de conexão com as oficinas”.

De La Tôrre advertiu, no entanto, para as dificuldades de investimento em plataformas digitais que as lojas de autopeças enfrentam hoje em razão da pandemia. Por outro lado, destacou a importância da operação física e do ser humano. “A pesquisa coloca como oportunidades a gestão de estoques e a otimização de compras. Porém, hoje, a gestão de pessoal também é fundamental. O homem é um animal social e a experiência do consumo é muito importante. O varejista físico não pode abrir mão de proporcionar uma boa experiência de consumo cada vez que o cliente vai à sua loja. É na loja física que podemos fazer a maior provocação de demanda”.


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