Automec 365 promove rodada de conteúdo -

Automec 365 promove rodada de conteúdo

Interface digital da maior feira de autopeças e serviços automotivos da América Latina amplia presença do evento no mercado ao longo do ano

Claudio Milan

claudio@novomeio.com.br

A plataforma digital Automec 365 promoveu nos dias 8 e 9 de junho uma rodada de conteúdo com três painéis sobre mercado de reposição e tendências. Segundo Luiz Bellini, diretor de portfólio da Reed Exhibitions, a iniciativa transforma a Automec em um evento contínuo.

“Conteúdo e negócios. Esses são os pilares da Automec 365. Nossas plataformas entregam conteúdo de relacionamento e negócios não mais apenas durante cinco dias por ano; a nova Reed promove a relação constante durante todos os dias de maneira perene. A Automec 365 é um dos exemplos mais recentes do que estamos fazendo, de nosso novo jeito de promover negócios, seja no face to face, seja no ambiente digital”, explicou o executivo.

Nesta edição, foram três painéis: “Sustentabilidade em Foco – Os caminhos da Delphi Technologies rumo a um futuro mais sustentável”, “Demand Driven Company – Um giro de 180o no aftermarket” e “Tecnologia, Gestão e Qualidade como diferencial para centros de reparação”.

A reportagem do Novo Varejo acompanhou o evento e traz, a seguir, um resumo do conteúdo apresentado.

Sustentabilidade em Foco – Os caminhos da Delphi Technologies rumo a um futuro mais sustentável

O tema ‘sustentabilidade’ está na ordem do dia. Amaury Oliveira destacou algumas das ações promovidas pela Delphi, empresa que foi recentemente adquirida pela Borg Warner. “Até 2035 a Borg Warner pretende neutralizar a emissão de carbono em suas unidades fabris. Sempre inovando para levar ao mercado produtos mais eficientes e processos internos também com maior eficiência. No Brasil, os investimentos já resultaram em economia de 19,5 toneladas de papelão e 33 toneladas de plástico. Outra ação são os produtos remanufaturados. No caso da Delphi, o processo de remanufatura representa economia de água, energia e matéria prima”.

Os participantes foram também questionados sobre as perspectivas da eletrificação da frota no Brasil. Amaury Oliveira – que no início de sua apresentação havia destacado a economia aproximada de 62 milhões de toneladas de CO2 proporcionada pela tecnologia de motorização flex – chamou a atenção para a forte presença dos motores a combustão interna no mercado brasileiro. “Pelas estatísticas da Borg Warner, haverá uma ampliação dos veículos elétricos. Porém, até 2030 a gente deve ter na frota mais de 80% dos veículos a combustão interna. No Brasil, com cerca de 50 milhões de veículos, vamos ter mais uns 10 ou 15 anos com muita presença da combustão.

A produção deve migrar em algum momento para híbridos, seguindo para elétricos, acompanhando a tendência global. Mas não vejo isso como imediato”.

Stephan Heinz, diretor do IQA, apresentou um caminho diferente. “Minha alternativa favorita é a célula de combustível. Porque tem autonomia e não precisa das baterias pesadas. Acho mais viável para o Brasil, que é um país muito grande e seria difícil instalar as estações de carregamento necessárias. A entidade das montadoras do Japão está buscando ativamente combustível sem carbono, que beneficia a frota existente – e acho que essa é uma solução mais provável para o Brasil”.

Demand Driven Company – um giro de 180o no aftermarket

O segundo painel realizado pela Automec 365 teve a moderação de Luiz Sérgio Alvarenga, diretor executivo do Sindirepa Brasil, e exposição de Cassio Herve, diretor do Oficina Brasil. O encontro tratou do conceito Demand Driven Company, cuja proposta é fazer com que as indústrias passem a entender como nasce a demanda nas oficinas e, com base nesses dados, orientem suas estratégias.

“O mercado de reposição movimentou mais de 61 bilhões de reais em 2020 em peças e serviços. Este é um país sem a cultura do ‘do it yourself’, ou ‘faça você mesmo’, que ao longo dos anos se torna cada vez mais complexo em razão das tecnologias dos veículos. E o ator principal fica no setor das oficinas” pontuou Alvarenga.

“A cadeia do aftermarket evoluiu muito nos últimos anos e hoje oferece uma oportunidade incrível para as empresas que têm origem na base, que são as oficinas. As indústrias podem ter sua operação inspirada pela base demandante, por isso falamos no giro de 180 graus. É uma oportunidade para as empresas que querem crescer e escrever sua história com mais controle dessa cadeia. As indústrias estão diante desse dilema, que na verdade é uma grande oportunidade”, acrescentou Herve. Em sustentação ao conceito, o expositor apresentou dados sobre a força dos centros de reparação na geração da demanda: “As 74 mil oficinas independentes no Brasil atendem uma média de 85 veículos por mês, o que perfaz algo em torno de 75,5 milhões de serviços por ano. Com o tíquete médio em torno de 400 reais – apenas peças técnicas e lubrificantes – chegamos ao montante anual de 30,2 bilhões”.

E como fazer com que as indústrias se orientem a partir do conceito Demand Driven Company? Cassio Herve sugeriu diretrizes: foco na formação do portfólio que antecipe a demanda; busca obsessiva pelo dimensionamento do mercado a partir da origem da demanda – afinal, qual é a demanda real?; formação de preço a partir do mercado e não apenas da engenharia + controller; “rastreamento reverso” da demanda a partir da oficina – identificação de pontos de “esclerose” na hidráulica da distribuição; definição dos players comerciais a partir de eficiência percebida na origem da demanda à oficina; avaliação sistemática da percepção da marca / produto / qualidade junto às oficinas; avaliação sistemática do “PDCO” Pipeline da Decisão de Compra da Oficina: compra / recompra / não compra / fidelização / recomendação / atributos marca / produto; decisão estratégica e investimento na criação / fortalecimento da área de BI como foco no nascedouro da demanda (a oficina); e departamentos de marketing e comercial inspirados e regidos pela área de BI.

Tecnologia, Gestão e Qualidade como Diferencial para Centros de Reparação

A rodada de conteúdo Automec 365 foi encerrada em 9 de junho com o terceiro painel, que contou com as participações de Antonio Carlos Fiola Silva, presidente do Sindirepa/SP e Claudio Moyses, diretor presidente do IQA em exercício.

Desta vez o assunto foi a importância do tripé tecnologia, gestão e qualidade como diferencial para os centros de reparação. Segundo Fiola, tal necessidade se impõe em decorrência, especialmente, de quatro fatores: tecnologia acelerada e em constante evolução; consumidores em transformação; autopeças e insumos em novo ciclo de aumento de preços; e a importância da peça certa chegar no momento certo.

“A gestão do centro de reparação é fundamental, não é mais como antes. O mecânico tem que se profissionalizar porque o carro evoluiu demais e o consumidor também. As montadoras estão evoluindo de forma agressiva e o reparador precisa estar preparado para arrumar esse carro e investir no negócio. O conceito do automóvel mudou muito para as pessoas e eu tenho que estar pronto para esse novo consumidor, do carro por aplicativo ou por assinatura”, expôs Fiola.

O presidente do Sindirepa destacou o momento de inflação e escassez das peças de reposição, o que impacta fortemente nas oficinas. “Isso mexe muito com nosso negócio porque não posso ficar com um carro parado na empresa por falta de peça. Temos aumento do número de passagens pela oficina, mas com queda no tíquete médio. Ou seja, mais carros para trabalhar sem o mesmo faturamento. Nós abrimos as portas todo dia com oito horas de trabalho de cada colaborador pra vender. Se eu não vender as horas de hoje, amanhã não as tenho mais. Por isso a gestão é muito importante. E a compra da peça é 50% do nosso dia”.

Fiola cobrou também canais para maior integração com as montadoras, as grandes detentoras das tecnologias e informações técnicas sobre os veículos. “O carro fora de garantia vai para a oficina independente, a gente consome muita peça e essa interação seria importante também para o consumidor final”.

Na sequência, o diretor presidente em exercício do IQA, Claudio Moyses, chamou atenção para a importância do cliente nesse processo. “Qualidade é igual à performance que a gente entrega dividida pela expectativa do cliente. Será que estamos realmente entregando um resultado conforme a expectativa do cliente?”, questionou.

Na avaliação do executivo, este é o ponto chave para a compreensão do contexto de mudanças que o mercado vem enfrentando e para a devida adequação dos centros de reparação às novas expectativas dos clientes. “Isso exige capacitação, ferramentas e sistema de gestão”, concluiu.


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