Geração de dados veiculares é mercado de 400 bilhões de euros -

Geração de dados veiculares é mercado de 400 bilhões de euros

Cifra foi calculada pela consultoria Fortune Business Insights e representa o principal fator que justifica a estratégia das montadoras para a retenção dessas informações

Claudio Milan claudio@novomeio.com.br

Vivemos a era do big data e cada um de nós é gerador de dados em tempo real todos os dias. Aplicativos das mais diferentes finalidades, uma fartura de mídias sociais e conexão à internet em tempo integral a cada segundo providenciam informações sobre onde estamos, quanto gastamos, que percurso fazemos, com quem conversamos e o que consumimos, entre outras tantas possibilidades relacionadas à nossa rotina.

 O mesmo se aplica e se aplicará cada vez mais aos automóveis. O carro conectado não é só um veículo que oferece um leque de entretenimento e serviços absolutamente inimagináveis há alguns anos. É também um smartphone sobre rodas que igualmente produz dados o tempo todo. Uma discussão ética que vem se impondo globalmente diz respeito à propriedade dessas informações que geramos via celular, computadores pessoais e, claro, os automóveis conectados. O bom senso determinaria nosso “direito autoral” a esse valiosíssimo conteúdo – afinal, lá está a “ultrassonografia” da nossa própria existência.

Mas, na prática, não é isso que ocorre. Enquanto cada país ou bloco político-econômico não estabelecer regras claras e definitivas sobre a propriedade dos dados gerados – mesmo que involuntariamente – por cada cidadão, o risco de posse e tributação indevida das informações seguirá em aberto. Mas, vamos nos ater ao setor automotivo, que é aquilo que nos interessa nesta publicação. O Brasil, aos costumes, ainda não se debruçou de forma consistente sobre a questão. Então, também aos costumes, nos cabe acompanhar como a trama vem se desenrolando no exterior – afinal, muito do que for feito lá fora terminará por ser referência para o que viermos depois a fazer por aqui.

EMBATE

O mês de abril começou assistindo a mais uma etapa no embate entre o aftermarket automotivo e a União Europeia. Grupos que representam o setor de reparação independente voltaram a questionar os gestores do bloco sobre a paralisação do debate acerca da elaboração das regras necessárias para regulamentar o acesso aos dados veiculares, questão inserida no movimento Right to Repair. Segundo estas associações, a estagnação de um plano organizacional pode abrir caminho para a concorrência desleal de empresas de tecnologia vindas da China e dos Estados Unidos.

Por trás deste debate está um imenso volume de dinheiro do qual as montadoras, ao que tudo indica, não estão dispostas a abrir mão. De acordo com cálculos da consultoria Fortune Business Insights, os dados gerados pelos veículos conectados podem proporcionar uma receita que variará entre 250 bilhões e 400 bilhões de euros até 2030. Uma grande parte desta fortuna viria da venda do acesso às informações na nuvem aos reparadores independentes, feita por meio de licenças e, posteriormente, mensalidades, além de softwares, atualizações de programas e tantas outras possibilidades que só volume de dinheiro do qual as montadoras, ao que tudo indica, não estão dispostas a abrir mão. De acordo com cálculos da consultoria Fortune Business Insights, os dados gerados pelos veículos conectados podem proporcionar uma receita que variará entre 250 bilhões e 400 bilhões de euros até 2030. Uma grande parte desta fortuna viria da venda do acesso às informações na nuvem aos reparadores independentes, feita por meio de licenças e, posteriormente, mensalidades, além de softwares, atualizações de programas e tantas outras possibilidades que certamente ainda serão expandidas a partir da própria e acelerada evolução tecnológica. É claro que a comercialização de tais dados não ficaria restrita aos estabelecimentos de manutenção veicular. A capacidade ilimitada do carro conectado de monitorar os hábitos dos consumidores interessa para quase todos os setores de negócios: desde seguradoras, postos de combustíveis até restaurantes – e muito, muito mais. Como diriam as antigas fábulas infantis, aí está um verdadeiro pote de ouro.

E em que pé a coisa anda por lá? Uma legislação clara sobre o com partilhamento de dados – que ainda não existe na União Europeia – estava prometida pelo Conselho Europeu para este segundo trimestre. No entanto, a questão não teve continuidade e até este momento não foi elaborada uma proposta legislativa. Os reparadores agora pressionam pela retomada urgente do debate e a criação de um cronograma que seja respeitado para que a propriedade e o acesso aos dados sejam devidamente regidos por uma regulamentação que democratize o uso adequado dessas informações e, acima de tudo, garanta o direito à liberdade de escolha por parte dos consumidores.


Notícias Relacionadas
Read More

Tráfego total de veículos cai 8,1% entre 12 e 18 de março

Nas rodovias da Companhia de Concessões Rodoviárias (CCR) entre 12 e 18 de março registrou queda de 8,1%, sendo que os veículos de passeio tiveram queda de 22,8% e o comercial caiu 2,3%. Sem a ViaSul, o tráfego também registrou queda, de 7% no período, sendo que os leves caíram 21,1% e o comercial caiu 2,8%.