A Mercedes-Benz e a Volkswagen já fazem paradas na produção de veículos por causa da falta de peças fabricadas no Rio Grande do Sul. A crise de componentes ocorre porque importantes fabricantes de peças de latarias e de componentes elétricos e mecânicos dos veículos vêm do Estado, profundamente impactado pelas cheias e que tem parte do seu território ainda sob água.
O Rio Grande do Sul é um dos maiores fabricantes de peças automotivas do País e a paralisação das suas indústrias já afeta toda a cadeia produtiva. Segundo o Sindipeças (Sindicato Nacional da Indústria de Componentes), o Rio Grande do Sul representou 12% do faturamento da indústria de autopeças em 2023, que totalizou R$ 12,8 bilhões. O Estado também responde por 11% das exportações de peças. As inundações arrefeceram o clima de comemoração que tomou conta do setor pelos resultados do primeiro quadrimestre.
A Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores) informa que a produção já foi afetada. “As fábricas de veículos na região estão paradas. Mas só poderemos quantificar perdas na coletiva de imprensa do início de junho. O RS é um dos cinco maiores fabricantes de autopeças do País, dos mais variados tipos. A logística na região está altamente comprometida, o que inclui o envio de veículos para as concessionárias, o que que deve afetar também as vendas no mês de maio. O Estado responde por 5% do mercado nacional”, diz a entidade ao acrescentar que as indústrias realizam ações de auxílio ao povo gaúcho em parceria com a Cruz Vermelha de Caxias do Sul.
Mercedes-Benz
A Mercedes-Benz parou por dois dias na última semana, 09 e 10/5, e avalia diariamente quais serão as próximas providências diante da falta de peças para concluir a montagem de ônibus e caminhões. “A Mercedes-Benz do Brasil se solidariza com as vítimas das enchentes no Rio Grande do Sul e, consciente dos prováveis impactos na cadeia produtiva e logística do setor automotivo de forma geral, monitora a situação de abastecimento de peças para as linhas de produção e tomará as medidas necessárias na adequação do cenário para atender seus clientes da melhor forma”, informa montadora, em nota.
“Essas folgas estavam previstas para maio e junho e foram antecipadas diante das peças que já estão faltando. Foi uma medida de precaução, mas já há uma avaliação que o problema pode não se agravar tanto a ponto de novas paradas. Faltam vários itens, mas há um estoque na fábrica ainda”, explica Amarildo Marques de Souza, coordenador do Comitê Sindical de Fábrica, dentro da Mercedes.
Segundo Souza, os trabalhadores, cerca de 8 mil na fábrica da Mercedes-Benz, em São Bernardo, se preocuparam também que as paradas de produção possam levar a cortes de pessoal, mas o sindicato agiu para evitar o temor. “Não tem essa preocupação, até porque a produção até o momento da tragédia no Rio Grande do Sul estava em alta. É só uma questão de voltar a receber peças, que podem vir de lá ou de outros fornecedores. Enquanto isso, nós mobilizamos o pessoal para ajudar e já arrecadamos 11 mil toneladas de donativos entre roupas e alimentos”, completa.
Volkswagen dá férias dia 20
Na Volkswagen serão 10 dias de paralisação da fábrica que serão computados como férias coletivas. Informa que em função das fortes chuvas que acometem no Rio Grande do Sul e o povo gaúcho, alguns fornecedores de peças, com fábricas instaladas no Estado, estão impossibilitados de produzir nesse momento. “Por esse motivo, a Volkswagen do Brasil protocolou férias coletivas de forma preventiva para as fábricas Anchieta, Taubaté e São Carlos, que poderão entrar em férias coletivas a partir de 20 de maio, com o atual cenário. Anchieta e Taubaté devem ter 10 dias de férias coletivas. A fábrica de motores de São Carlos deverá ter férias de 11 dias para parte do time de produção. A fábrica de São José dos Pinhais, neste momento, seguirá produzindo normalmente”, informa a montadora.
Para o coordenador geral do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC na fábrica da Volkswagen, Marlon Augusto da Silva, o setor de automóveis estava bem aquecido até a ocorrência das enchentes no sul do País. “As coletivas são resultado da falta de peças, as montadoras não estão conseguindo produzir e também não vão chegar peças para o mercado de reposição também, quem precisar de uma peça genuína vai ter dificuldade de encontrar nas concessionárias também”, analisa.